quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

DIVACY PEREIRA - Nota de Pesar e Gratidão

Divacy Pereira do Nascimento
É com profundo pesar que comunicamos o falecimento de um dos nomes históricos da música instrumental da cidade de Piranhas: Divacy Pereira do Nascimento, ocorrido aos 75 anos na cidade de Serra Talhada. A partida de Divacy ocorre em uma data de grande simbolismo: no exato dia em que nossa instituição celebra o 36º aniversário de sua reativação. 

Filho de Hercílio Pereira e Alzira Silveira Pereira, Divacy carregava no sangue a herança de alagoanos de Piranhas. Sua trajetória foi, acima de tudo, uma vivência familiar e comunitária. Na antiga formação da banda, ele dividiu a estante com seu tio, o trombonista Elias Silveira, e os primos Toinho "de Expedito", trompetista, e Egildo Vieira, clarinetista.

Divacy foi um dos iniciados em música por Mestre Elísio em meados da década de 1950. Naquela época, ele empunhava o clarinete naquela bandinha mantida abnegadamente pelo maestro, trompetista e sapateiro pernambucano de Jatobá. Com a desativação da ferrovia e da banda, a família de Divacy estabeleceu residência em Petrolândia/PE. Lá, integrou com destaque a Banda Musical Adolfo Alexandre de Melo (fundada em 1938).

Em 4 de fevereiro de 1990, cerca de doze anos após o falecimento do Mestre Elísio (ocorrido em Delmiro Gouveia/AL), a música voltava a respirar em sua plenitude em Piranhas, a "Lapinha do Sertão". Na inauguração da Escola de Música Mestre Elísio, Divacy, saxofonista tenor, foi um dos protagonistas desse momento antológico; um dos seis baluartes da formação da década de 1950 que se reuniram para honrar o legado do mestre: Elias Silveira (trombone), Augusto José Neto "Bujão" (bombardino), Afonsinho e Natalício, percussionistas. O renomado flautista Egildo Vieira também esteve no evento. 

Á esquerda, Mestre Bubu, de branco, e o saxofonista Divacy Pereira.
(Arquivo: Família Fernandes Fontes, 1991)

Mesmo residindo em Pernambuco, Divacy cruzou as divisas de Alagoas para reforçar nossas fileiras nas festas da padroeira de 1990 a 1994 junto aos colegas de Petrolândia Etinho (trombone), Miguel e Jardiel (trompetes). 

Ele nos deixa hoje no dia do nosso aniversário, lembrando-nos que uma filarmônica é feita de sons, de memória e lealdade. Até há pouco tempo, Divacy era o último remanescente ativo daquela banda histórica das décadas de 1950 e 1960.

À família e aos amigos de Petrolândia e Piranhas, nossos mais sinceros sentimentos.

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Mais informações em: 

https://www.oxentenews.com.br/2026/02/nota-de-falecimento-petrolandia-pe.html#google_vignette

https://www.assisramalho.com.br/2026/02/petrolandia-corpo-de-divacir-ja-chegou.html

https://www.instagram.com/p/DUWgkuvkp_x/



4/2. DIA DA FILARMÔNICA MESTRE ELÍSIO

Banda do Mestre Elísio (s.l.; s.d.)

Elísio José de Souza (1911-1978)
Mestre Elísio José de Souza (1911-1978)



sábado, 24 de janeiro de 2026

FESTA DA PADROEIRA 2026


Fé e Tradição: Piranhas Celebra Nossa Senhora da Saúde

A comunidade paroquial de Piranhas, Alagoas, inicia hoje um dos períodos mais significativos do seu calendário religioso: a festa da padroeira, Nossa Senhora da Saúde. Sob o tema inspirado na passagem bíblica "A esperança não decepciona" (Rm 5,5), o evento convida os fiéis a um tempo de renovação espiritual e oração.

O Itinerário da Fé

O novenário começa neste sábado, 24 de janeiro, e estende-se com celebrações diárias até o dia 1º de fevereiro. As novenas e missas ocorrem pontualmente às 19h e 19h30, respectivamente.

A programação foi cuidadosamente dividida para envolver todos os setores da sociedade piranhense:

  • Abertura (24/01): O início é marcado por uma procissão motorizada saindo da Matriz de São Francisco às 18h. Os homenageados da noite são os motoristas, motociclistas, ciclistas e as forças de segurança (Polícia Militar, Civil e Guarda Municipal)
  • Tradição Musical: A primeira noite será musicada pela Filarmônica Mestre Elísio. O grupo possui um vínculo histórico com a festividade, sendo responsável por entoar os cânticos litúrgicos da celebração há exatos 26 anos. (Este é o 37º ano de participação da banda municipal.)
  • Setores Sociais e Econômicos: Ao longo das noites, grupos específicos assumem o papel de noiteiros, incluindo pescadores e aposentados, comerciantes, hotéis e pousadas, além da representação dos poderes públicos e da Academia Piranhense de Letras e Artes (APLA)
  • Movimentos Eclesiais: Grupos como o Terço dos Homens, Renovação Carismática Católica (RCC), Pastoral Familiar, Mães que Oram pelos Filhos também possuem datas dedicadas ao longo da semana.

Integração com a Comunidade

Um ponto alto da festa é a participação das diversas localidades que compõem o município. Moradores do Distrito Piau, Entremontes, Salinas e diversos assentamentos, como Antônio Conselheiro e Karl Marx, são convidados especiais para as celebrações. Os bairros da cidade, desde o Centro Histórico até as Vilas Sergipe e Alagoas, também integram o corpo da festividade.

O Dia Solene: 2 de Fevereiro

O encerramento da festa acontece na segunda-feira, dia 2 de fevereiro, data litúrgica da Apresentação do Senhor. A programação solene inclui:

  • 10h: Missa Solene
  • 16h: Missa Solene seguida de Procissão pelas ruas do Centro Histórico
  • Encerramento: Bênção do Santíssimo Sacramento e o tradicional Festival de Prêmios.

Coordenação: Pároco Pe. José Walter da Silva Santos Filho; Vigário Pe. José Paulo Pereira da Silva.

Mais informações: https://www.instagram.com/paroquia_piranhas 

https://facebook.com/100066466659544/

terça-feira, 11 de novembro de 2025

22/11: DIA DO MÚSICO

O dia 22 de Novembro é uma data de proeminente relevância no panorama cultural e educacional, sendo formalmente designado como o Dia do Músico. Esta efeméride não se restringe a um mero reconhecimento profissional, mas constitui um ponto de convergência entre tradição hagiográfica, manifestação artística e a complexa tessitura da produção cultural.

A seleção desta data remonta à celebração de Santa Cecília de Roma, virgem e mártir cristã, cuja devoção se estabeleceu nos primórdios da Igreja. A associação de Santa Cecília à arte musical foi consolidada e institucionalizada em 1594, quando o Papa Gregório XIII a proclamou oficialmente a Padroeira dos Músicos. O referencial simbólico para esta patronagem reside nas narrativas que descrevem a mártir cantando louvores a Deus ("Cantantibus organis, illa in corde suo soli Domino decantabat") mesmo em meio ao seu martírio. Este ato de persistente devoção sonora estabeleceu-a como o ícone da fé inabalável manifestada através da melodia, conferindo à data um profundo significado para a classe musical.

Em uma perspectiva contemporânea e acadêmica, o Dia do Músico direciona a reflexão para o papel multifacetado do musicista como agente cultural e intelectual: 
  • Agente de Patrimônio: O musicista é o principal transmissor do patrimônio imaterial, atuando na interpretação de obras históricas e na criação de repertórios vanguardistas. Ele é fundamental na preservação e na evolução das tradições musicais.
  • Educação Musical e Cognição: A formação em Artes Musicais, ministrada em conservatórios e universidades, sublinha a alta complexidade técnica e teórica da profissão. O educador musical, em particular, desempenha um papel crucial no desenvolvimento cognitivo, motor e socioemocional de indivíduos em diversas faixas etárias.
  • Produção Estética e Social: O profissional da arte sonora contribui diretamente para a produção estética da sociedade, operando em esferas que vão desde a composição erudita até a produção fonográfica de massa. Sua atuação é vital para a coesão social e para a crítica cultural, fornecendo a "trilha sonora" para a experiência humana.

O dia 22 de Novembro é o momento de refletir sobre a música e a contribuição fundamental dos músicos. É um momento oportuno para que a comunidade acadêmica e as instituições culturais reavaliem e fomentem políticas de apoio e reconhecimento à arte sonora, garantindo a sustentabilidade e a excelência dos estudos em Musicologia, Composição e Performance.


sexta-feira, 24 de outubro de 2025

domingo, 5 de outubro de 2025

O Galope da Imaginação: "Cavalo de Flecha" na Infância Nordestina e na Obra de Egildo Vieira


A ligação entre a brincadeira do "Cavalo de Flecha" com a macambira e a música homônima de Egildo Vieira é a materialização perfeita da busca pela arte erudita que bebe na fonte da cultura popular nordestina.

Egildo Vieira (1947–2015), flautista e ex-integrante do Quinteto Armorial, era mestre em traduzir o sertão em música e instrumentos. A sua composição "Cavalo de Flecha" é um exemplo vívido dessa ponte cultural.

O Encontro do Lúdico Popular com a Arte Armorial

A associação entre a brincadeira e a música se dá em três níveis: o simbólico, o rítmico e o instrumental.

1. Nível Simbólico: A Temática do Sertão

Assim como a brincadeira é uma reinterpretação da vida rural (o cavalo do vaqueiro, a caça do arqueiro) usando recursos da Caatinga (a haste floral da macambira), a música de Egildo Vieira faz o mesmo no campo sonoro.

A obra "Cavalo de Flecha" é classificada no estilo Romance e Galope, buscando inspiração nas toadas de cantadores, nos cocos e no ritmo das cavalhadas e dos romances medievais que se mantiveram vivos no Nordeste.

A música evoca a força do cavalo (o galope ritmado) e a velocidade da flecha (a precisão melódica), traduzindo em arte erudita a simplicidade da corrida da criança pelo quintal com sua haste de macambira.

2. Nível Instrumental: O Ariano e os Materiais Rústicos

A peça é notável por ser frequentemente executada no Ariano, um instrumento inventado pelo próprio Egildo Vieira, em homenagem a Ariano Suassuna. O Ariano é um dos pontos mais fortes de conexão com a brincadeira:

Elemento da Brincadeira Elemento da Música Conexão
Haste da Macambira Instrumentos de Egildo Ambos utilizam materiais naturais e rústicos da região (taquaras, cabaças, quenga de coco) para criar arte.
Brinquedo Feito à Mão Ariano (Instrumento Inovador) Representam o saber-fazer tradicional (luthieria rústica) levado à excelência artística.

O Ariano é um instrumento de cordas baseado no Marimbau e utiliza cabaças como caixa de ressonância. Ele confere à música um timbre singular, profundo e percussivo, que reforça o caráter regional e rústico da composição.

3. Nível Rítmico: O Romance e o Galope

A estrutura da música em "Romance e Galope" reflete o movimento dual da brincadeira:

  • Romance: Traz a melodia e a narrativa épica, lembrando as histórias de cavalaria e bravura (o cavaleiro).
  • Galope: É a parte mais essencialmente percussiva da música, simbolizando o ritmo da corrida do cavalo e, metaforicamente, o pique da criança a brincar. O ritmo vibrante do Ariano e da percussão criada por Egildo (também com materiais rústicos) reproduz a cadência do galope do animal pelo sertão.

Assim, "Cavalo de Flecha" é um ciclo completo que celebra a cultura material e a imaginação infantil do Nordeste, elevando um simples brinquedo feito da planta da Caatinga a uma composição de arte sonora, conforme o ideal armorial.

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Macambira-de-flecha é um termo popular e regional, sem validade botânica, que se refere à haste floral seca e resistente da planta macambira (gênero Bromélia, comum no Nordeste do Brasil), quando esta haste é empregada por crianças na fabricação artesanal de brinquedos, como flechas ou o "cavalo" de uma brincadeira. O termo destaca a função lúdica e a utilização prática dessa parte específica da planta na cultura infantil do sertão.

sábado, 23 de agosto de 2025

UMA RIVALIDADE DOURADA: CORNET (PISTOM) VS. TROMPETE



A palavra pistom é frequentemente usada como um sinônimo para o cornet ou cornetim, que na língua francesa é chamado de cornet à pistons (corneta de pistões).

O cornet é um instrumento de sopro da família dos metais, assim como o trompete. A grande diferença é o formato do tubo: o trompete tem uma tubagem mais cilíndrica; o cornet tem uma tubagem mais cônica.

Essa diferença no formato do tubo dá ao cornet um som mais suave, menos brilhante e mais fácil de tocar que o do trompete, especialmente nas notas mais graves.  Em algumas regiões e épocas, o termo pistom se referia especificamente ao cornet, que era muito popular nas bandas de música e orquestras. No Brasil, historicamente, a palavra pistom foi usada para ambos os instrumentos.

Uma Rivalidade Dourada: Cornet (Pistom) vs. Trompete

Por décadas, o mundo da música foi palco de uma rivalidade acirrada entre dois dos mais nobres instrumentos de metal: o cornet e o trompete. A disputa, que se desenrolou no final do século XIX e início do século XX, não era apenas sobre qual soava melhor, mas sobre qual era o verdadeiro rei das bandas de concerto.

O cornet era o instrumento preferido para a maioria das bandas. Seu som mais suave e a agilidade nas passagens rápidas o tornavam ideal para as melodias líricas e solos virtuosísticos das marchas e dobrados.

O trompete, por outro lado, ainda era visto por muitos como um instrumento mais rude, com som mais forte e penetrante, geralmente usado para fanfarras e na orquestra sinfônica.

A Preferência de Herbert L. Clarke

Herbert L. Clarke, um dos maiores cornetistas da história, era um defensor ferrenho do cornet. Ele acreditava que o trompete era inadequado para o papel de solista e que seu som era menos expressivo. Embora ele tenha tocado trompete em orquestras sinfônicas em alguns momentos de sua carreira (incluindo na Filarmônica de Nova York), ele via o cornet como o instrumento superior para as exigências técnicas e expressivas das bandas de concerto.

Essa preferência de Clarke, um dos músicos mais influentes de sua época, cimentou ainda mais o lugar do cornet nas bandas americanas por muitos anos.

O Cornet: O Rei Indiscutível das Bandas

No auge de sua popularidade, o cornet, ou como era popularmente chamado no Brasil, o pistom, era a voz principal das bandas de música. A maioria dos virtuoses da época, como o lendário Herbert L. Clarke, não escondia seu desdém pelo trompete, que ele considerava um instrumento grosseiro e pouco refinado para os solos complexos que ele executava.

A preferência não era por acaso. O cornet tem uma tubagem mais cônica (estreita no início e mais larga no final), o que lhe confere um som mais suave, redondo e lírico. Além disso, seu formato o tornava mais ágil para passagens rápidas e melodias fluidas, características essenciais nas marchas, valsas e polcas que dominavam os repertórios das bandas.

Para os seus defensores, o cornet era o instrumento perfeito para a expressão musical, a verdadeira "voz" da melodia.

O Trompete: A Fanfarra e o Futuro

Enquanto o cornet reinava nas bandas, o trompete era relegado a um papel mais secundário. Com sua tubagem mais cilíndrica, seu som é mais penetrante, forte e claro. Por isso, ele era tradicionalmente usado em orquestras para fanfarras e passagens majestosas que exigiam um brilho sonoro marcante.

A visão de que o trompete era inferior para a melodia começou a mudar no início do século XX. O surgimento de novos gêneros musicais, como o jazz, pedia um instrumento com uma voz mais cortante e um som que pudesse se destacar em um conjunto. Foi o trompete que se mostrou ideal para essa função.

Músicos como Louis Armstrong popularizaram o trompete como um instrumento de solo de uma forma que nunca havia sido vista, mostrando ao mundo sua incrível capacidade de improvisação e expressão. Ao mesmo tempo, melhorias na fabricação do instrumento o tornaram mais ágil, desafiando a antiga supremacia do cornet.

O Veredito e o Legado

A rivalidade teve um vencedor claro: o trompete. Com o tempo, ele substituiu o cornet (pistom) como o instrumento padrão na maioria das bandas e orquestras.

No entanto, a disputa não foi sobre qual instrumento era "melhor", mas sobre qual era mais adequado para as necessidades de uma era em constante mudança.


QUIZ: https://g.co/gemini/share/6d909d89b0f9

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Fonte:

Uma Rivalidade Dourada: Corneto (Pistom) vs. Trompete. https://gemini.google.com

MATTE, Jean-Luc. Typologie des instruments à embouchure. In: JEAN-LUC MATTE. [S.l.], 2011. Disponível em: http://jeanluc.matte.free.fr/articles/typologie/typologie.htm#32322. 

PAULO CASTAGNA, F. B. e. Trombetas, Clarins, Pistões e Cornetas no Século XIX e as Fontes para a História dos Instrumentos de Sopro no Brasil. Música Hodie, Goiânia, v. 5, n. 1, 2008. DOI: 10.5216/mh.v5i1.2651. Disponível em: https://revistas.ufg.br/musica/article/view/2651. Acesso em: 23 ago. 2025.



quinta-feira, 21 de agosto de 2025

QUIZ 1

Quiz Interativo

Quiz: Dia do Clarinetista