quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

UMA SAGA DA MÚSICA DAS ALAGOAS

(Fonte: https://misa.al.gov.br/acervo/livros-e-documentos/135-misa/livros-e-documentos-misa/3250-livro-benedito-silva-uma-saga-da-msica-das-alagoas)
Benedito Silva - Uma Saga da Música das Alagoas

Obra: Benedito Silva - Uma Saga da Música das Alagoas

Autor: Paulo de Castro Silveira

Publicação: Fundação Teatro Deodoro (FUNTED), 1981

O livro "Benedito Silva - Uma Saga da Música das Alagoas", escrito pelo professor Paulo de Castro Silveira, é um importante registro histórico e cultural que celebra a vida do autor do Hino de Alagoas. Publicada em 1981, a obra integra as comemorações de várias efemérides significativas daquele ano, incluindo os 60 anos do falecimento do maestro Benedito Silva.

1. O Maestro e o Hino

A figura central do livro é o Professor Benedito Silva, descrito como um dos grandes compositores e maestros do Brasil. A sua importância para o estado é consolidada, sobretudo, pela autoria do Hino de Alagoas, um marco da identidade cultural regional. A obra procura resgatar a memória do artista, impedindo que o tempo apague o legado de quem dedicou a vida à arte dos sons.

2. A Música como Estado d'Alma

O autor inicia o livro com uma profunda reflexão filosófica e psicológica sobre o papel da música na existência humana. Segundo Silveira:

  • A música é uma arte universal que comunica através do amor e da espiritualidade.
  • O ritmo é intrínseco ao ser humano, refletindo-se na marcha, na respiração e nos batimentos cardíacos.
  • A obra destaca o valor da musicoterapia, mencionando como a música pode auxiliar no tratamento de doenças da alma.

3. Alagoas: Um Celeiro de Talentos

Um dos pontos altos da narrativa é a afirmação de que "Alagoas é um país de música". O livro enumera diversos talentos que elevaram o nome do estado:

Nome Destaque
Heckel Tavares Projeção internacional (o "menino de Satuba").
Luiz Lavenère Machado Autor de operetas e romancista.
Dr. Joaquim Neves Pinto Médico e músico de orquestras de cinema mudo.
Família Paurílio Antônio Paurílio, mestre das valsas e tangos.

Conclusão

"Benedito Silva - Uma Saga da Música das Alagoas" não é apenas uma biografia de um maestro; é um inventário da sensibilidade artística de um povo.

Através desta conferência publicada, Paulo de Castro Silveira oferece um panorama rico que liga a erudição da ópera à espontaneidade das bandas marciais, reafirmando a música como sinônimo de vida para os alagoanos.

Documento preservado pelo Museu da Imagem e do Som de Alagoas (MISA).

sábado, 7 de fevereiro de 2026

O MAESTRO E O CAPELÃO

O MAESTRO E O CAPELÃO

 

A história da colaboração entre o Maestro José Emiliano de Souza (1858-193?) e o Padre José Nicodemos da Rocha (1883-1936) no início do século XX é, de fato, um capítulo relevante na história das bandas de música locais.

Padre Nicodemos, coadjutor da Paróquia Santíssimo Coração de Jesus, no município de Pão de Açúcar, foi capelão em Piranhas pouco depois de sua ordenação sacerdotal, em 1903. Três anos depois, substituiu interinamente o pároco Antônio José Soares de Mendonça (1827-1906). No mesmo ano, foi designado administrador paroquial de Nossa Senhora da Conceição, em Água Branca.

O Maestro José Emiliano de Souza, professor de  Primeiras Letras e músico compositor, natural de Pão de Açúcar, atuava em Piranhas nessa época e compunha regularmente para o ofício religioso da Capela de Nossa Senhora da Saúde. Além disso, regia a banda nos festejos, uma banda que os jornais da época chamavam de “philarmonica piranhense”.

O número 23/1905 do jornal católico A Fé Christã nos oferece este relevante testemunho da colaboração de ambos:

“Com grande concurso de pessoas encerrou-se o Mês Mariano nesta vila, sendo o ato revestido do maior brilhantismo e pompa religiosa. Os habitantes de Piranhas e seus arredores afluíam desde o alvorecer, tirando longas jornadas, a fim de assistirem com a atenção que é peculiar aos habitantes destas plagas, à missa cantada pelo Revmo. Pe. José Nicodemos, na qual se exibiu a orquestra, hábil e competentemente regida pelo maestro José Emiliano, que nos deliciou com um Credo, primorosa composição sua.”

Em 1911, já bem estabelecido em Água Branca, Padre Nicodemos, que possuía sólida formação musical, não abriu mão da colaboração do Mestre José Emiliano e o levou para a sua Escola Paroquial, recém-criada naquela cidade com o apoio do Coronel Ulisses Luna. Da mesma forma, o colega músico João Ribeiro do Valle foi contratado para o ensino de Primeiras Letras.

João Ribeiro foi empregado pelo empresário Delmiro Gouveia, em 1915,  na banda da Companhia Agro Fabril Mercantil (Fábrica da Pedra) — a banda mais bem estruturada do sertão alagoano.

Sete anos mais tarde, vemos o maestro José Emiliano em Piranhas celebrando a imagem de Santa Cecília, nicho à direita da padroeira Nossa Senhora da Saúde, quando foi entronizada no altar-mor em 22 de novembro de 1922. Nesse dia, foi realizada uma recepção solene à imagem barroca. Um estrado foi montado na nave lateral da igreja para que os músicos pudessem fazer as honras à sua padroeira.

O último remanescente da rica atividade musical das primeiras décadas do século era a partitura autógrafa da Missa composta pelo maestro no início do século, provavelmente encomendada por Padre Nicodemos, pois o autógrafo destacava ambas as cidades de Piranhas e Água Branca.

Enquanto o ano de 1922 marca o último registro reconhecido da atuação de José Emiliano de Souza em Piranhas, seu amigo padre-músico José Nicodemos da Rocha ainda viveu mais catorze anos de seu prolífico paroquiato de quase três décadas, até seu falecimento em Água Branca no ano de 1936.

Consultado em outubro de 2013 sobre as bandas, músicos e o repertório do seu tempo de infância, o flautista conterrâneo Egildo Vieira (1947-2015), discípulo dos mestres Nemésio Teixeira (1904-1978) e Elísio José de Souza (1911-1978), mencionou que essa Missa era ainda tocada nos anos 60 e revelou que parte do acervo musical de José Emiliano foi herdado por Mestre Elísio.


F. Ventura (2025)

Texto publicado originalmente na III Antologia do Encontro de Escritores e Leitores Piranhenses & convidados / Organização de Fabrine Morais; Prefácio de Tinho Santana.
Aracaju: Brasil Casual, 2025. pp. 42-43.


quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

DIVACY PEREIRA - Nota de Pesar e Gratidão

Divacy Pereira do Nascimento
É com profundo pesar que comunicamos o falecimento de um dos nomes históricos da música instrumental da cidade de Piranhas: Divacy Pereira do Nascimento, ocorrido aos 75 anos na cidade de Serra Talhada. A partida de Divacy ocorre em uma data de grande simbolismo: no exato dia em que nossa instituição celebra o 36º aniversário de sua reativação. 

Filho de Hercílio Pereira e Alzira Silveira Pereira, Divacy carregava no sangue a herança de alagoanos de Piranhas. Sua trajetória foi, acima de tudo, uma vivência familiar e comunitária. Na antiga formação da banda, ele dividiu a estante com seu tio, o trombonista Elias Silveira, e os primos Toinho "de Expedito", trompetista, e Egildo Vieira, clarinetista.

Divacy foi um dos iniciados em música por Mestre Elísio em meados da década de 1950. Naquela época, ele empunhava o clarinete naquela bandinha mantida abnegadamente pelo maestro, trompetista e sapateiro pernambucano de Jatobá. Com a desativação da ferrovia e da banda, a família de Divacy estabeleceu residência em Petrolândia/PE. Lá, integrou com destaque a Banda Musical Adolfo Alexandre de Melo (fundada em 1938).

Em 4 de fevereiro de 1990, cerca de doze anos após o falecimento do Mestre Elísio (ocorrido em Delmiro Gouveia/AL), a música voltava a respirar em sua plenitude em Piranhas, a "Lapinha do Sertão". Na inauguração da Escola de Música Mestre Elísio, Divacy, saxofonista tenor, foi um dos protagonistas desse momento antológico; um dos seis baluartes da formação da década de 1950 que se reuniram para honrar o legado do mestre: Elias Silveira (trombone), Augusto José Neto "Bujão" (bombardino), Afonsinho e Natalício, percussionistas. O renomado flautista Egildo Vieira também esteve no evento. 

Á esquerda, Mestre Bubu, de branco, e o saxofonista Divacy Pereira.
(Arquivo: Família Fernandes Fontes, 1991)

Mesmo residindo em Pernambuco, Divacy cruzou as divisas de Alagoas para reforçar nossas fileiras nas festas da padroeira de 1990 a 1994 junto aos colegas de Petrolândia Etinho (trombone), Miguel e Jardiel (trompetes). 

Ele nos deixa hoje no dia do nosso aniversário, lembrando-nos que uma filarmônica é feita de sons, de memória e lealdade. Até há pouco tempo, Divacy era o último remanescente ativo daquela banda histórica das décadas de 1950 e 1960.

À família e aos amigos de Petrolândia e Piranhas, nossos mais sinceros sentimentos.

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Mais informações em: 

https://www.oxentenews.com.br/2026/02/nota-de-falecimento-petrolandia-pe.html#google_vignette

https://www.assisramalho.com.br/2026/02/petrolandia-corpo-de-divacir-ja-chegou.html

https://www.instagram.com/p/DUWgkuvkp_x/



4/2. DIA DA FILARMÔNICA MESTRE ELÍSIO

Banda do Mestre Elísio (s.l.; s.d.)

Elísio José de Souza (1911-1978)
Mestre Elísio José de Souza (1911-1978)