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| Banda do Mestre Elísio (s.l.; s.d.) |
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| Mestre Elísio José de Souza (1911-1978) |
A comunidade paroquial de Piranhas, Alagoas, inicia hoje um dos períodos mais significativos do seu calendário religioso: a festa da padroeira, Nossa Senhora da Saúde. Sob o tema inspirado na passagem bíblica "A esperança não decepciona" (Rm 5,5), o evento convida os fiéis a um tempo de renovação espiritual e oração.
O novenário começa neste sábado, 24 de janeiro, e estende-se com celebrações diárias até o dia 1º de fevereiro. As novenas e missas ocorrem pontualmente às 19h e 19h30, respectivamente.
A programação foi cuidadosamente dividida para envolver todos os setores da sociedade piranhense:
Um ponto alto da festa é a participação das diversas localidades que compõem o município. Moradores do Distrito Piau, Entremontes, Salinas e diversos assentamentos, como Antônio Conselheiro e Karl Marx, são convidados especiais para as celebrações. Os bairros da cidade, desde o Centro Histórico até as Vilas Sergipe e Alagoas, também integram o corpo da festividade.
O encerramento da festa acontece na segunda-feira, dia 2 de fevereiro, data litúrgica da Apresentação do Senhor. A programação solene inclui:
Coordenação: Pároco Pe. José Walter da Silva Santos Filho; Vigário Pe. José Paulo Pereira da Silva.
Mais informações: https://www.instagram.com/paroquia_piranhas
Portal História de Alagoas promove Festival do Livro Digital Gratuito https://t.co/oZOfv28D4f
— ᖴ. ᐯᕮᘉTᑌᖇᗩ 🎼🎶 (@F7Ventura) October 24, 2025
A ligação entre a brincadeira do "Cavalo de Flecha" com a macambira e a música homônima de Egildo Vieira é a materialização perfeita da busca pela arte erudita que bebe na fonte da cultura popular nordestina.
Egildo Vieira (1947–2015), flautista e ex-integrante do Quinteto Armorial, era mestre em traduzir o sertão em música e instrumentos. A sua composição "Cavalo de Flecha" é um exemplo vívido dessa ponte cultural.
A associação entre a brincadeira e a música se dá em três níveis: o simbólico, o rítmico e o instrumental.
Assim como a brincadeira é uma reinterpretação da vida rural (o cavalo do vaqueiro, a caça do arqueiro) usando recursos da Caatinga (a haste floral da macambira), a música de Egildo Vieira faz o mesmo no campo sonoro.
A obra "Cavalo de Flecha" é classificada no estilo Romance e Galope, buscando inspiração nas toadas de cantadores, nos cocos e no ritmo das cavalhadas e dos romances medievais que se mantiveram vivos no Nordeste.
A música evoca a força do cavalo (o galope ritmado) e a velocidade da flecha (a precisão melódica), traduzindo em arte erudita a simplicidade da corrida da criança pelo quintal com sua haste de macambira.
A peça é notável por ser frequentemente executada no Ariano, um instrumento inventado pelo próprio Egildo Vieira, em homenagem a Ariano Suassuna. O Ariano é um dos pontos mais fortes de conexão com a brincadeira:
| Elemento da Brincadeira | Elemento da Música | Conexão |
|---|---|---|
| Haste da Macambira | Instrumentos de Egildo | Ambos utilizam materiais naturais e rústicos da região (taquaras, cabaças, quenga de coco) para criar arte. |
| Brinquedo Feito à Mão | Ariano (Instrumento Inovador) | Representam o saber-fazer tradicional (luthieria rústica) levado à excelência artística. |
O Ariano é um instrumento de cordas baseado no Marimbau e utiliza cabaças como caixa de ressonância. Ele confere à música um timbre singular, profundo e percussivo, que reforça o caráter regional e rústico da composição.
A estrutura da música em "Romance e Galope" reflete o movimento dual da brincadeira:
Assim, "Cavalo de Flecha" é um ciclo completo que celebra a cultura material e a imaginação infantil do Nordeste, elevando um simples brinquedo feito da planta da Caatinga a uma composição de arte sonora, conforme o ideal armorial.
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A palavra pistom é frequentemente usada como um sinônimo para o cornet ou cornetim, que na língua francesa é chamado de cornet à pistons (corneta de pistões).
O cornet é um instrumento de sopro da família dos metais, assim como o trompete. A grande diferença é o formato do tubo: o trompete tem uma tubagem mais cilíndrica; o cornet tem uma tubagem mais cônica.
Essa diferença no formato do tubo dá ao cornet um som mais suave, menos brilhante e mais fácil de tocar que o do trompete, especialmente nas notas mais graves. Em algumas regiões e épocas, o termo pistom se referia especificamente ao cornet, que era muito popular nas bandas de música e orquestras. No Brasil, historicamente, a palavra pistom foi usada para ambos os instrumentos.
Por décadas, o mundo da música foi palco de uma rivalidade acirrada entre dois dos mais nobres instrumentos de metal: o cornet e o trompete. A disputa, que se desenrolou no final do século XIX e início do século XX, não era apenas sobre qual soava melhor, mas sobre qual era o verdadeiro rei das bandas de concerto.
O cornet era o instrumento preferido para a maioria das bandas. Seu som mais suave e a agilidade nas passagens rápidas o tornavam ideal para as melodias líricas e solos virtuosísticos das marchas e dobrados.
O trompete, por outro lado, ainda era visto por muitos como um instrumento mais rude, com som mais forte e penetrante, geralmente usado para fanfarras e na orquestra sinfônica.
Herbert L. Clarke, um dos maiores cornetistas da história, era um defensor ferrenho do cornet. Ele acreditava que o trompete era inadequado para o papel de solista e que seu som era menos expressivo. Embora ele tenha tocado trompete em orquestras sinfônicas em alguns momentos de sua carreira (incluindo na Filarmônica de Nova York), ele via o cornet como o instrumento superior para as exigências técnicas e expressivas das bandas de concerto.
Essa preferência de Clarke, um dos músicos mais influentes de sua época, cimentou ainda mais o lugar do cornet nas bandas americanas por muitos anos.
No auge de sua popularidade, o cornet, ou como era popularmente chamado no Brasil, o pistom, era a voz principal das bandas de música. A maioria dos virtuoses da época, como o lendário Herbert L. Clarke, não escondia seu desdém pelo trompete, que ele considerava um instrumento grosseiro e pouco refinado para os solos complexos que ele executava.
A preferência não era por acaso. O cornet tem uma tubagem mais cônica (estreita no início e mais larga no final), o que lhe confere um som mais suave, redondo e lírico. Além disso, seu formato o tornava mais ágil para passagens rápidas e melodias fluidas, características essenciais nas marchas, valsas e polcas que dominavam os repertórios das bandas.
Para os seus defensores, o cornet era o instrumento perfeito para a expressão musical, a verdadeira "voz" da melodia.
Enquanto o cornet reinava nas bandas, o trompete era relegado a um papel mais secundário. Com sua tubagem mais cilíndrica, seu som é mais penetrante, forte e claro. Por isso, ele era tradicionalmente usado em orquestras para fanfarras e passagens majestosas que exigiam um brilho sonoro marcante.
A visão de que o trompete era inferior para a melodia começou a mudar no início do século XX. O surgimento de novos gêneros musicais, como o jazz, pedia um instrumento com uma voz mais cortante e um som que pudesse se destacar em um conjunto. Foi o trompete que se mostrou ideal para essa função.
Músicos como Louis Armstrong popularizaram o trompete como um instrumento de solo de uma forma que nunca havia sido vista, mostrando ao mundo sua incrível capacidade de improvisação e expressão. Ao mesmo tempo, melhorias na fabricação do instrumento o tornaram mais ágil, desafiando a antiga supremacia do cornet.
A rivalidade teve um vencedor claro: o trompete. Com o tempo, ele substituiu o cornet (pistom) como o instrumento padrão na maioria das bandas e orquestras.
No entanto, a disputa não foi sobre qual instrumento era "melhor", mas sobre qual era mais adequado para as necessidades de uma era em constante mudança.
QUIZ: https://g.co/gemini/share/6d909d89b0f9
Johann Christoph Denner (13 de agosto de 1655 – 26 de abril de 1707) foi um renomado fabricante de instrumentos de sopro de madeira da era Barroca, nascido em Leipzig, Alemanha. Sua família, originalmente de afinadores de trompas, mudou-se para Nuremberg em 1666, onde Denner estabeleceu sua própria oficina em 1678. Ele se tornou conhecido por sua excepcional habilidade na fabricação de instrumentos como flautas doces, oboés e fagotes, que eram muito valorizados na Europa da época.
A maior contribuição de Denner para a história da música foi, sem dúvida, a invenção do clarinete. No final do século XVII e início do século XVIII, ele trabalhou no aprimoramento do chalumeau, um instrumento de palheta simples popular na época.
O chalumeau, embora tivesse um som agradável no registro grave, era limitado em sua extensão e versatilidade. Denner, com sua expertise e curiosidade, fez modificações cruciais que transformaram o instrumento:
Adição de uma chave de registro: Esta foi a inovação mais importante. Ao adicionar uma chave na parte superior traseira do instrumento, Denner permitiu que o chalumeau produzisse notas em um registro agudo, expandindo dramaticamente sua extensão sonora. Essa chave de registro, ao sobre soprar, fazia com que o instrumento saltasse uma décima segunda (intervalo de uma oitava e uma quinta), criando um novo registro sonoro.
Melhorias na boquilha e na campânula: Ele também refinou o design da boquilha e fez alterações na forma do sino (campânula), contribuindo para a qualidade e projeção do som.
Estima-se que as primeiras versões do clarinete, como o conhecemos, surgiram por volta de 1700. Os primeiros clarinetes de Denner tinham geralmente duas chaves. Embora a primeira referência documentada a um clarinete seja uma fatura do seu filho Jacob Denner datada de 1710 (três anos após a morte de J.C. Denner), é amplamente aceito que Johann Christoph Denner foi o visionário por trás de sua criação.
O trabalho de Johann Christoph Denner lançou as bases para o desenvolvimento contínuo do clarinete. Seus filhos, Jacob e Johann David Denner, continuaram o legado da família na fabricação de instrumentos. A invenção de Denner abriu caminho para futuras inovações, como as de Iwan Müller e, posteriormente, do sistema Boehm, que solidificaram o clarinete como um dos instrumentos mais expressivos e versáteis na música clássica, jazz e muitos outros gêneros. Por sua genialidade e impacto duradouro, Johann Christoph Denner é justamente reconhecido como o pai do clarinete.
O sistema Boehm para o clarinete foi padronizado por Hyacinthe Klosé e Louis-Auguste Buffet.
O nome "Boehm" vem de Theobald Boehm, um flautista e inventor alemão que, na década de 1830, revolucionou o design da flauta transversal. Ele criou um sistema inovador de chaves e orifícios com anéis que permitia uma maior precisão na afinação e uma digitação mais fácil e lógica.
Inspirados pelas inovações de Boehm para a flauta, o clarinetista francês Hyacinthe Klosé (professor do Conservatório de Paris) e o fabricante de instrumentos Louis-Auguste Buffet trabalharam juntos para adaptar esse sistema ao clarinete. Entre 1839 e 1843, eles desenvolveram o que hoje conhecemos como o "Sistema Boehm para Clarinete".
As principais adaptações incluíram:
A utilização de chaves de anel, que permitiam abrir e fechar vários orifícios com um único movimento do dedo.
A relocação de alguns orifícios para melhorar a afinação e a sonoridade.
Um sistema de digitação mais intuitivo e menos complexo, eliminando a necessidade de "dedilhados cruzados" problemáticos que existiam nos sistemas anteriores (como o sistema Müller).
O sistema Boehm se tornou o padrão na maioria dos países, exceto em algumas regiões da Alemanha e Áustria, onde o sistema Oehler ainda é popular.
Então, embora Theobald Boehm tenha criado o sistema para a flauta, foram Klosé e Buffet que o adaptaram e padronizaram para o clarinete, tornando-o o sistema dominante para o instrumento em grande parte do mundo.