FRANCISCO PAIXÃO[1]
Entre Altares e Coretos
Por
Billy Magno
“A vocação
artística e musical em Penedo se desabrochou e se irradiou no claustro do
Convento e Igreja de Nossa Senhora dos Anjos.” (Ernani Otacílio Méro)
O
maestro e compositor Francisco Paixão é um personagem histórico central da era
de ouro das bandas de música do Baixo São Francisco. Embora seu nome tenha
sofrido com o apagamento crônico que afeta os artistas do interior nordestino,
pesquisas acadêmicas de musicologia histórica brasileira tentam resgatar seu
real papel na cultura de Alagoas.
Como
compositor nascido e falecido em Penedo, a sua produção esteve, com certeza,
atada às duas grandes forças propulsoras da música ribeirinha entre os séculos
XIX e XX: Igrejas e Irmandades: Penedo possui templos barrocos monumentais
(como a Igreja de Nossa Senhora da Corrente e o Convento de São Francisco).
Compositores locais atuavam como mestres de capela, escrevendo missas, novenas,
hinos religiosos e motetos para a Semana Santa.
Música
Filarmônica: A cidade é a casa da Imperial Sociedade Filarmônica Sete de
Setembro. Mestres como ele costumavam compor dobrados, valsas, maxixes e
polcas.
Origens, Juventude
Imperial e a Música Sacra (ca. 1855 – 1881)
Nascido Francisco
Manoel da Paixão por volta de 1855, filho de M. José Carlos, foi criado sob a
forte tradição cultural das monumentais igrejas barrocas do Baixo São
Francisco, despontando na música aos 20 anos de idade. Em abril de 1875, surge
assinando como um dos líderes da Corporação Muzical República-Encouraçada, uma
das agremiações musicais que animavam a sociedade civil penedense no final do
Império.[2]
Sua
participação em notas oficiais de jornais da época demonstra que, desde a
juventude, ele possuía trânsito e liderança nas bandas locais. No mesmo ano, em
agosto, seu nome foi incluído no Alistamento Militar Imperial no contingente do
5º Quarteirão da Paróquia de Nossa Senhora do Rosário de Penedo.
Paralelamente
às corporações de rua, Paixão consolidou uma sólida reputação no prestigiado
circuito da música sacra penedense ao longo da segunda metade do século XIX. Conforme
apontam os registros históricos da Irmandade do Santíssimo, ele figurava como
um dos regentes mais requisitados e disputados para conduzir os coros das
missas cantadas das quintas-feiras. Nessa esfera litúrgica, dividia o
protagonismo com contemporâneos de ofício como Miguel Moreira Sampaio, José
Correia Mendonça, Manuel Nunes de Barros Leite, João Lourenço Barreiros, João
Dias Barbosa, Francisco Joaquim dos Santos, Manoel Tertuliano dos Santos e
Henrique Thomaz Ribeiro.
A Gênese das Grandes
Bandas e a Consolidação (1881 – 1888)
Demonstrando
rápida maturação técnica, em abril de 1881, aos 26 anos, já era reverenciado
publicamente na imprensa provincial como “distinto regente de música”. À frente
de seus instrumentistas, exercia forte papel comunitário e filantrópico,
regendo gratuitamente rituais e encomendações fúnebres para amparar famílias
enlutadas da comunidade, como atesta esta nota pública de agradecimento fúnebre
assinada por Joaquim da Natividade Reis Caco publicada no Jornal do Penedo. No
texto, ele agradece explicitamente ao:
...
distincto regente de muzica Francisco Manoel da Paixão e seus dignos
companheiros, que caridosamente officiarão gratuitamente na encommenda da
Igreja e funeral até o Cemiterio... – Ato de caridade registrado no funeral da
jovem Zulmira Vieira dos Reis Silva.
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| Penedo com Vila Nova ao fundo em 1875 - foto de Marc Ferrez |
Em
15 de agosto de 1883, expandindo sua atuação nas fileiras das filarmônicas
locais, Paixão integrou como instrumentista a fundação da popular Filarmônica
Euterpe Ceciliense, corporação que inicialmente ensaiava em um anexo da
residência de seu grande protetor, o Sr. Anízio Galvão. Nessa primeira fase da
banda e da orquestra, ele atuou ao lado do maestro titular Henrique Thomaz
Ribeiro e de músicos de relevo como João Batista dos Santos (“João Patury”),
Antônio Cruz da Silva Filho, Benedito do Espírito Santo, Manoel Sacramento,
Manoel Dias, José Dias, Benevenuto, Agostinho, Juventino, Lula e Henrique
Thomaz Filho.[4]
Buscando
novas frentes associativas, em 10 de março de 1888, uniu-se a João Patury, Ciro
Ciarliny e Manoel Tertuliano dos Santos (o “Manoel Baixo”) para atuar como
cofundador de mais uma influente instituição: a Associação Musical Philantropos
Carlos Gomes, corporação de altíssimo prestígio regional que realizava
apresentações cívicas e religiosas em Alagoas e aceitava contratos para
solenidades em Sergipe.
A Era de Ouro de Penedo e
a Possível Estreia do Dobrado “Aidil” (1904 – 1909)
Na
virada para o século XX, a sua intensa atividade musical fundia-se ao cotidiano
daquela que ficou conhecida na região como a “Cidade dos Pianos”, devido à
imensa proliferação do instrumento nos casarões aristocráticos.
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| Penedo - Procissão de Bom Jesus dos Navegantes em 1905 (Foto de Nilo Pinheiro) |
Na
lista de assinaturas e nomes da terceira coluna, constam figuras centrais da
sociedade penedense, como o Dr. Francellino Doria (juiz de direito da comarca).
O Trânsito das
Filarmônicas: A Rota Fluvial do Repertório
Na
República, consolidou-se como o compositor, arranjador e maestro. O ápice de
sua produção artística sobrevivente deu-se em outubro de 1909, período em que a
imprensa registrou uma efervescente série de quatro saraus literomusicais
semanais de caráter beneficente, promovidos pelo jornal O Cruzeiro (Nº 14,
29/10/1909) em favor dos pobres e do Sanatório de Vila Nova.
Esses eventos movimentaram os salões do Montepio dos Artistas – ornamentado por João Igreja – e da Sociedade Terpsícore, mobilizando a cantora Honorina Ribeiro, os instrumentistas Vicente Sant’Anna e João Henrique da Costa, além da participação solidária da Euterpe Ceciliense, regida pelo Maestro Henrique Thomaz.
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| Lauro Augusto do Carmo (1876-1941) (Foto: Wikipedia) |
A programação contou também com a forte presença do Maestro Lauro do Carmo, que declamou no primeiro sarau e assinou os arranjos de uma Cavatina para flauta e de uma Valsa Brilhante para violino apresentadas na terceira noite da série. Embora Paixão tenha focado sua atuação de palco como colaborador direto especificamente na execução do quarto e último sarau (em 24 de outubro), foi no miolo daquele mês que sua obra-prima foi imortalizada. É desse exato período a sua única obra sobrevivente: o Dobrado “Adail” ou “Aidil” como veremos adiante.
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Sabe-se, por meio da crônica da imprensa penedense, que a Lira 6 de Novembro realizou uma surpresa musical na noite de 17 de outubro de 1909 – data paralela ao terceiro sarau da cidade – em frente à residência da gentil senhorita Aidil Peixoto, filha do influente industrial e médico Dr. Joaquim Peixoto, por ocasião de seu aniversário natalício. Muito embora a situação dê a entender que o dobrado “Aidil” tenha sido composto e executado especialmente para aquela homenagem sob a regência do mestre, a historiografia musical mantém a cautela científica, tratando tanto a execução quanto a dedicatória da peça naquela noite no campo da forte probabilidade histórica, uma vez que não há uma comprovação documental absoluta e nominal na crônica da época.
Uma
semana após essa homenagem de rua, na noite de 24 de outubro de 1909, Paixão
subiu formalmente ao palco do Montepio para participar de forma direta como
colaborador na execução do quarto e último sarau da série, somando sua batuta
àquela ilustre constelação de artistas e intelectuais locais.
Com
a posterior desativação da corporação operária penedense, seu vasto arquivo
sacro e secular gerado por cerca de 50 anos de atividade perdeu-se no tempo em
Penedo. No entanto, o intenso intercâmbio entre as corporações de Penedo,
Traipu e Pão de Açúcar garantiu a sobrevivência de sua única obra restante
através da vigorosa troca de partituras entre os músicos que singravam o Rio
São Francisco.
Sobre
o aspecto visual, o seu caso lembra o de Benedicto Silva (1859-1921), pois
assim como acontece com o famoso maestro autor do hino do estado, não resta
também uma única fotografia sua, nem mesmo um quadro ou gravura.
O Dobrado “Adail” e o Fóssil Paleográfico de Pão de Açúcar (1909–1911)
A profunda inserção da jovem Aidil da Silva Peixoto no imaginário e na identidade cultural da ribeira do São Francisco não ficou registrada apenas nas colunas sociais, mas materializou-se em partituras. Presume-se, com base nas evidências documentadas pela imprensa penedense em outubro de 1909, que as celebrações de seus oito anos de idade contaram com uma retreta exclusiva na porta de sua residência pela corporação musical Lyra 6 de Novembro, sob a regência de sua autoridade máxima, o Maestro Francisco Paixão.
| Pão de Açúcar, 1910 - Acervo Etevaldo Amorim |
Para
a ocasião, há fortes indícios historiográficos de que Paixão tenha dedicado uma
composição exclusiva à filha do Dr. Joaquim Peixoto: o Dobrado “Aidil”.
O
trânsito subsequente desse manuscrito musical revela um fascinante fenômeno de
apropriação e circulação cultural entre as filarmônicas do interior alagoano.
Menos de dois anos após a estreia em Penedo, a peça musical subiu o Rio São
Francisco e chegou às mãos dos copistas da Sociedade União e Perseverança
(S.U.P.), na cidade de Pão de Açúcar, onde foi integrada ao arquivo da
agremiação em agosto de 1911. Ao ingressar no repertório local, o dobrado teria
passado por um processo de alteração de título, sendo rebatizado como “Adail”,
trazendo nos cabeçalhos legíveis a indicação de autoria “Dobrado por Francisco
Paixão” (ou a abreviação Fco.), sob o monograma institucional da S.U.P.
Ao
examinar atentamente as partes restantes do dobrado e cruzar com a informação
da surpresa musical no aniversário de Aidil Peixoto em 1909, percebendo uma
possível mudança de Aidil para Adail, levanto a hipótese de a troca de nome
apontar para a presença na banda, em 1911, do clarinetista e requintista Álvaro
Simas, cujo filho viria a ser o futuro violonista Adail Simas (1912-1995).
Sob
a suposição de que a esposa de Álvaro já estivesse grávida em agosto de 1911 e
com o nome do filho escolhido, o rebatismo da obra pode ter surgido como uma
homenagem interna da corporação ao herdeiro do colega de fileira.
No
entanto, a análise fria e documental dos manuscritos originais daquele ano de
1911 preservou o que a historiografia chama de “fóssil paleográfico” ou “ato
falho” de transcrição. Ao copiar a guia instrumental destinada à 1ª Clarineta,
o copista local Santos Filho, dividindo sua atenção entre o manuscrito original
de Penedo e a nova ordem de batismo da música, fundiu os dois nomes na mente e
na tinta. Em vez de grafar Adail, o músico quase entregou a matriz de sua fonte
ao escrever “Aidail” – um híbrido ortográfico que conservou o “i” intruso e
característico do nome de Aidil.
Nas
demais guias sobreviventes da banda – os trompetes 1 e 2 e os trombones 1 e 2 e
3 em parte única –, o processo de padronização do título já havia sido
internalizado com a grafia local. Esse deslize da caneta do copista em 1911
funciona como a prova material de que a verdadeira musa inspiradora daquele
dobrado era a menina de Penedo, ilustrando como o prestígio da dinastia Peixoto
navegava pelas águas e pelas pautas musicais do Nordeste da Belle Époque.
O Resgate de Arquivo no
Sertão e a Posteridade – As Redes de Maestros do Sertão (1911)
O dobrado “Adail”, provavelmente escrito em 1909 e titulado como “Aidil”, só resistiu ao tempo porque foi acolhido pela efervescente cena musical de Pão de Açúcar nas primeiras décadas do século XX. O mutirão de transcrição e preservação das únicas cinco partes originais sobreviventes (1ª clarinete, 1º e 2º trompetes e nas mesmas partes 2º e 3º, trombones) no arquivo da antiga Sociedade União e Perseverança (S.U.P.) mobilizou o núcleo central da música sertaneja da época: em agosto de 1911, a peça foi incorporada ao arquivo da antiga Sociedade União e Perseverança (S.U.P.). O mutirão de transcrição mobilizou as maiores mentes musicais daquela região: o Maestro Livino Paiva Mazoni (1880-1940) – atuante na S.U.P. já em 1905 e que também regeu no município de Belo Monte – copiou o 1º Trompete em 11 de agosto; Manoel Victorino Filho (Mestre Nozinho), então um jovem de 16 anos que havia migrado de Neópolis[5] com sua família (por volta de 1906) – transcreveu o 2º Trompete em 14 de agosto; enquanto José Araújo e Santos Filho encarregaram-se do 1º Trombone e da 1ª Clarineta, respectivamente. Única exceção é a parte única para 2º e 3º trombone que não se encontra assinada.
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| Mestre Nozinho (1895-1960) regendo a S.U.P. em 14-10-1917. (Acervo Etevaldo Amorim) |
Esse esforço de arquivo inseria-se em um ecossistema musical de rara efervescência, que contava com a presença ativa do já mencionado clarinetista Álvaro Simas (que frequentava Penedo), do Maestro Emygdio Bezerra Lima (1865-1931) – regente e professor de Mestre Nozinho que assumiria a direção da S.U.P. em 1915 – e de Abílio Mendonça (1879-1963), que naquele exato ano de 1911 comandava a Euterpe Pão-de-Açucarense na sua inauguração em 15/03/1911 (e que teve duração efêmera), banda ligada ao teatro Politeama Goulart de Andrade (inaugurado um ano antes), antes de expandir sua atuação em Santana do Ipanema.
Morte e Renascimento da
Obra – A Reorquestração e a Posteridade (1926–2018)
Após
dedicar mais de cinquenta anos de sua vida à identidade sonora de sua terra
natal, o respeitado maestro faleceu em Penedo em setembro de 1926, por volta
dos 71 anos de idade. Seu passamento recebeu honras fúnebres públicas na seção
Vida Social do jornal O Progresso (Nº 7), em 19 de setembro de 1926, que
registrou textualmente em sua terceira coluna:
Pela notícia que
demos do fallecimento do musicista conterraneo sr. Francisco Paixão, o sr.
Agapito Modesto, funccionario municipal, veio agradecer-nos em nome da exma.
familia enlutada.
Suas
partituras originais sofreram dispersão crônica. Após décadas de silêncio
decorrentes da desativação da S.U.P., os manuscritos sobreviventes de 1911
foram localizados na histórica Sociedade Musical Guarany em 1994, em um
pioneiro trabalho de resgate de arquivo realizado por mim.
Em
2018, o músico e pesquisador Flávio Ventura realizou um minucioso restauro
técnico da peça. Sua intervenção preservou fielmente as linhas melódicas
originais encontradas, ao passo que mantém a sua essência original das bandas
menores do interior como manda a orquestração original, num verdadeiro esforço
de arqueologia musical, somando-se aos cinco manuscritos originais, foram
adicionadas partes para 2º e 3º clarinetes, requinta, flauta, flautim,
saxofones alto, tenor e barítono, 3º trompete, 1ª, 2ª e 3ª trompas, barítono,
bombardino, tubas em Bb e Eb e percussão, ampliando a orquestração e
reabilitando a obra esquecida para um contexto contemporâneo.
Graças
a essa extraordinária teia de preservação fluvial e sertaneja, o Dobrado “Adail”
(ou “Aidil”) quebrou o silêncio do esquecimento e permanece hoje como a única
obra sobrevivente encontrada até agora. O resgate e a publicação desta edição
musical, celebrados neste ano de 2026, marcam oficialmente o centenário de
falecimento do mestre, consagrando o dobrado como a eterna e viva voz do legado
do Maestro Francisco Paixão.
São
Paulo, julho de 2026.
O SOM E O TRÂNSITO
Aidil Peixoto e a Aristocracia do São Francisco
A trajetória de Aidil Peixoto confunde-se com a própria essência do trânsito aristocrático, industrial e cultural que ligava Alagoas e a Bahia na primeira metade do século XX. Sua vida, tecida no seio da mais alta estirpe do Baixo São Francisco, deixou um rastro material que acabou por eternizar o seu nome na musicologia e na história das bandas de música do Nordeste.
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| Dr. Joaquim Peixoto na Revista O Malho Nº 269 09-11-1907. |
Sua história inicia-se na capital baiana, na tradicional Freguesia de São Pedro. Foi ali que ela nasceu, no dia 26 de outubro de 1901, filha do médico e influente industrial Dr. Joaquim da Silva Peixoto e de Dona Aurelina Maciel Peixoto. Pouco tempo depois, no dia 8 de dezembro do mesmo ano, a menina foi levada à pia batismal da matriz de São Pedro pelo próprio patriarca do império têxtil da região, o Comendador Manoel da Silva Peixoto, que ao lado de Dona Anna da Silva Peixoto carimbou o peso heráldico que a afilhada carregaria desde o berço.
A fixação da família em solo alagoano deu-se logo em seguida. No dia 29 de maio de 1903, com pouco mais de um ano de idade, a pequena Aidil cruzou o mar e o rio no colo dos pais (et infans) a bordo de um navio a vapor, em uma viagem que transferia em definitivo a residência da família para o Centro Histórico de Penedo, onde o pai consolidava-se como cofundador da monumental Fábrica de Tecidos Peixoto Gonçalves. Foi nessa atmosfera de opulência e prestígio que Aidil viveu os anos dourados de sua infância.
Antecipando as celebrações de seu oitavo ano de vida, as calçadas de sua imponente residência penedense foram cercadas por uma carinhosa surpresa noturna na data de 17 de outubro de 1909. A corporação musical Lyra 6 de Novembro, buscando a simpatia e o patrocínio do grande industrial, marchou até as suas portas. Sob a magistral batuta do exímio maestro Francisco Paixão, a banda executou diversas peças de seu repertório em homenagem à aniversariante, ato registrado com louvor nas páginas do periódico O Cruzeiro. Foi o som daquela retreta antecipada de aniversário que deu origem ao Dobrado cuja corrupção fonética subiu o rio na boca de copistas e músicos de barco, transformando o nome incomum de “Aidil” no célebre Dobrado Adail nas estantes da Sociedade Musical União e Perseverança, em Pão de Açúcar, em 1911.
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| Igreja de São Pedro antes de ser demolida em 1913, Salvador-BA. (Foto: http://www.salvador-antiga.com/index.html) |
Ao
longo da década de 1910, Aidil desfrutou de uma juventude sintonizada com a
vanguarda do país. Em junho de 1913, aos 11 anos de idade, figurou nos clichês
ilustrados da prestigiosa revista carioca O Tico-Tico, demonstrando o alto
trânsito cultural de sua casa com a capital federal. Mantendo a rotina de
viagens marítimas entre Penedo e Salvador, no dia 19 de agosto de 1915, aos 13
anos de idade, desembarcou no porto penedense a bordo do vapor comandado pelo
comandante Djalma, integrando uma comitiva familiar que incluía suas tias Dona
Virgínia Silva Peixoto e Dona Maria Silva Peixoto, sua mãe Dona Aurelina
Peixoto e seu irmão caçula, Dalmo José Peixoto (1912-1922) – cuja memória e
afeto a inspirariam, anos mais tarde, a batizar o seu próprio filho com o mesmo
nome.
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| Penedo - Chalé dos Peixoto anos 1910 - Arquivo Fernando Moura Peixoto (Foto: http://www.salvador-antiga.com/index.html) |
À medida que os anos avançavam, os laços burocráticos e aduaneiros da comarca se estreitavam. No dia 6 de novembro de 1919, em um lance de impressionante coincidência cronológica com o nome da filarmônica de sua infância, uniu-se em matrimônio com o renomado médico baiano Dr. Augusto Marques Valente (1894–1963).
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| Antigo Campo Grande 1901 onde hoje é o hotel da Bahia (Foto: http://www.salvador-antiga.com/index.html) |
O ato solene, celebrado com licença especial na aristocrática residência do Campo Grande, em Salvador, foi registrado na Paróquia de Nossa Senhora da Vitória e selou a aliança entre os Peixoto (do algodão) e os Marques Valente (titulares de cartório em Penedo desde o Império), passando ela a assinar Aidil Peixoto Marques Valente.
Os anos seguintes projetaram o casal para o plano internacional de forma precoce e imponente. Em abril de 1926, no auge de sua juventude e trânsito social, Aidil, então com 24 anos, e seu marido, o Dr. Augusto, com 31, embarcaram no porto do Rio de Janeiro a bordo do vapor S.S. Western World rumo a Nova York, empreendendo uma longa jornada transatlântica sozinhos, acompanhados de perto nos registros pelo próprio industrial Dr. Joaquim da Silva Peixoto.
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| S.S. Western World da viagem de 1926 - www.oldpostcards.com |
A maternidade consolidou-se na virada daquela década na capital baiana, primeiro com o nascimento de sua filha Nícia Maria Valente em 21 de janeiro de 1930[6] – que no futuro, sob o pseudônimo literário de Maria Patrícia, se tornaria uma destacada cronista no jornal Estado da Bahia, vindo a casar-se com Luiz Raimundo Tourinho Dantas –, seguida pelo nascimento de seu filho Dalmo Augusto Marques Valente em 1932, que viria a se consolidar como um influente empresário do setor de maquinário pesado e terraplanagem na Bahia, responsável pela abertura do terreno do Estádio do Barradão.
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| S.S. Empress of Britain em 1931 (o navio da segunda viagem de Aidil) - Wikipedia |
Em 29 de abril de 1939, a família expandiu seus horizontes em uma nova jornada internacional de fôlego: a bordo do vapor Empress of Britain, Aidil e o Dr. Augusto cruzaram o Atlântico rumo a Nova York, dessa vez levando consigo os filhos Nícia (então com 9 anos) e Dalmo (com 7 anos), dividindo os salões e as cabines do navio com seus primos de Penedo, o industrial Comendador José da Silva Peixoto (“Zeca”) e sua esposa Leonor Gonçalves (1904-1987).
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| Comendador Peixoto – década de 40 (Acervo Antônio Melo Barbosa) |
Educada dentro de um rígido modelo inglês (seu pai e seu avô mantinham fortes conexões na Inglaterra), Aidil incutiu na filha uma visão avançada e independente para as mulheres de sua época, estimulando-a a estudar em Nova York aos 17 anos, quebrando as rígidas convenções morais das elites tradicionais.
Após
décadas divididas entre a clínica médica, as viagens e a sólida administração
do patrimônio familiar na residência da Avenida Sete de Setembro, nº 540, o
ciclo conjugal de Aidil encerrou-se de forma definitiva no dia 12 de outubro de
1963, data em que enfrentou a viuvez com o falecimento do Dr. Augusto Marques
Valente aos 69 anos de idade, vítima de insuficiência cardíaca e sepultado no
Cemitério do Campo Santo.
Viúva
e guardiã ativa das memórias da dinastia, Dona Aidil Peixoto Marques Valente
dedicou-se na velhice a resgatar a produção intelectual de sua filha: em 1980,
aos 79 anos, coordenou e patrocinou a publicação do livro Crônicas de Maria
Patrícia 1946-1950, impresso pelo Centro Gráfico do Senado Federal. Dona
Aidil viveria os seus anos posteriores dividindo o seu tempo e o patrimônio
acumulado entre a Bahia e o Rio de Janeiro, vindo a falecer no fim da década de
1980 na Cidade do Rio de Janeiro, onde manteve seus bens e sua base civil.
Sua biografia permanece, na história cultural do Rio São Francisco, como o retrato perfeito da Belle Époque industrial, imortalizada nos metais de chão pela força de um dobrado que nasceu para celebrar as suas primeiras retretas.
♫
O DOBRADO ADAIL
Simbologia do Nome, Salvaguarda Patrimonial e Arquitetura Musical
No vasto panorama da antroponímia
lusófona, certos nomes próprios carregam consigo uma densa bagagem histórica e
conceitual que ultrapassa a mera função de identificação individual. É o caso
de Adail[7],
um nome de matriz árabe cuja gênese remonta ao vocábulo ad-dalīl (الدليل),
formado pela fusão do artigo al- – com assimilação fonética para ad-
– e do substantivo dalīl, cujo significado literal traduz-se como “o
guia”, “o condutor” ou “aquele que indica o caminho”. Incorporado ao léxico
ibérico durante o contexto militar das guerras da Reconquista e das incursões
no Norte de África, o termo adail consolidou-se como a designação do
oficial encarregado de guiar tropas e liderar explorações à frente do combate,
originando também o termo cognato adalide, empregado para definir um
paladino ou defensor de uma causa. Fenômenos de adaptação fonética e variação
popular na língua portuguesa deram origem ainda à variante Aidil[8], que preserva a mesma raiz
etimológica consonantal (d-l-l) e o simbolismo de orientação, embora
tenha se consagrado com maior frequência no uso feminino.
A força simbólica desse nome ganha
contornos estéticos e historiográficos de enorme relevância na música
brasileira ao intitular o dobrado Adail, obra de autoria do compositor
penedense Francisco Paixão (ca. 1855-1926). Na tradição das bandas de música do
Brasil, a escolha do título de um dobrado frequentemente prestava homenagem a
personalidades eminentes, líderes locais ou figuras de destaque comunitário –
uma prática em perfeita sintonia com a própria etimologia do nome, que evoca a
figura do líder ou patrono. A trajetória de salvaguarda desta partitura reflete
o vigor e a resiliência do patrimônio musical do Baixo São Francisco. Um
arranjo parcial da obra foi localizado no centenário arquivo musical de Pão de
Açúcar, preservando manuscritos feitos entre 11 e 14 de agosto de 1911 por
copistas como Livino Paiva, Santos Filho, José Araújo e Manoel Victorino Filho
(então com 15 anos de idade), dos quais sobreviveram as partes cavadas de uma
clarineta, pistons e trombones.
O resgate definitivo do dobrado ocorreu em
maio de 2018, mediante material cedido por Billy Magno e revisado por F.
Ventura. Diante do caráter incompleto e fragmentário das cinco partes cavadas
remanescentes de 1911, o trabalho de salvaguarda exigiu não apenas a
transcrição digital, mas também um rigoroso processo de reconstituição e
arranjo para a formação de banda completa. A partir desse núcleo harmônico e
melódico essencial, foi reconstruída a orquestração para a instrumentação
moderna de banda de música, expandindo o arcabouço original e preservando as
características estilísticas e a integridade estrutural do vernáculo
composicional do início do século XX.
A peça agora integra um expressivo
conjunto de cerca de vinte obras históricas recuperadas, digitalizadas,
editoradas e historiadas pela parceria Magno-Ventura. Esse acervo divide-se
entre obras do arquivo compartilhado – originárias da Sociedade Musical Guarany
(1918) e levadas a Piranhas pelo maestro pão-de-açucarense Afrânio Menezes
Silva, o Mestre Bubu (1936-1991)[9] – e peças do acervo
exclusivo da própria Sociedade Musical Guarany que, por sua vez, já havia
décadas incorporado os arquivos de suas antecessoras, a Euterpe de Pão de
Açúcar e a Sociedade União e Perseverança, por meio dos vários maestros em
trânsito, mas principalmente por essa figura central para a qual toda a
tradição converge: Manoel Victorino Filho, o Mestre Nozinho[10].
Nesse amplo painel de salvaguarda figuram composições como a valsa Haydée de Euclides Silva Novo, os dobrados Sonhador de Osvaldo Passos Cabral, Ricardo Moraes de Domingos Queiroz, a valsa Guiomar e o maxixe Chocolate de Agérico Lins, os dobrados Experiência de Antônio Passinha, Lira da Saudade de Manoel Passinha, York Restaurant de Antônio Areccipo, Dobrado N. 2, Américo Castro Barbosa e a polca Gonzaga Netto de Benedito Raimundo da Silva, Dobrado N. 9 e Depois do Acampamento de Abílio Mendonça, além de peças anônimas ou de autoria não identificada como os dobrados Olyntho Mattos, Temporada, o maxixe João e Jorge, a mazurca Risonha e o dobrado Capitão Cassulo[11].
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| Parte remanescente de Adail, copiada por Santos Filho em 11/8/1911. (Arquivo Billy Magno) |
Do ponto de vista analítico, o dobrado Adail revela uma arquitetura musical refinada e exemplar dentro do gênero militar e festivo. Estruturado na forma rondó ABACA, a obra desenvolve um plano tonal rigorosamente equilibrado, pautado pela exploração de relações harmônicas entre tons vizinhos diretos. A Introdução (de 18 compassos) e a Seção A (de 32 compassos) estabelecem a tonalidade principal da composição em Lá bemol maior (Ab) sob uma métrica em compasso binário composto (6/8) e andamento rápido, conferindo o caráter altivo e ritmado característico da marcha do pas redoublé. A escolha do compasso 6/8 em vez do 2/4 altera a física do movimento e a atmosfera expressiva da obra. Ao agrupar três notas por tempo, a subdivisão ternária substitui a pisada rígida da infantaria por um balanço galopante e fluido, historicamente associado à cavalaria. Esse impulso contínuo suaviza o rigor militar e confere uma sensação de leveza e velocidade. Herdeiro de fanfare e temas festivos, o 6/8 reveste a marcha de nobreza, brilho e heroísmo. O compositor troca a cadência disciplinar e severa por uma narrativa triunfante e vibrante.
Na Seção B (de 16 compassos), a música
modula para o V grau (Dominante), Mi bemol maior (Eb), valendo-se de um tom
vizinho direto superior na espiral de quintas para gerar o contraste de tensão
harmônica antes da reexposição do tema principal.
O ápice do contraste formal ocorre na
Seção C, o Trio (de 32 compassos), no qual a obra modula para Ré bemol maior
(Db), correspondente ao IV grau (Subdominante) da tonalidade matriz. Esta
transição para o campo da subdominante é acompanhada por uma importante mudança
métrica para o binário simples (2/4), recurso tradicional no gênero que confere
ao Trio uma atmosfera acentuadamente cantabile, lírica e relaxada,
equilibrando com elegância a vivacidade e o ímpeto militar das seções
pregressas. A escrita ganha contornos poéticos: a textura rarefaz-se nos
trombones, que passam a desempenhar funções de pedais harmônicos sustentados e
notas guias, enquanto as madeiras agudas desdobram-se em semicolcheias de
extrema fluidez. A linha melódica principal ganha caráter expansivo com
trompetes e saxofones sobre o apoio discreto das tubas, culminando no
encerramento estrutural demarcado pelo Da Capo al Fine. Assim, a obra de
Francisco Paixão articula, em perfeita consonância, a altivez do nome que lhe
dá título, a riqueza da memória documental sanfranciscana e a maestria da
escrita musical para a banda civil do início do século XX.
F. Ventura (2026)
Notas sobre pessoas citadas no texto:
¹ RIBEIRO,
Henrique Thomaz (1851-1910). Relevante maestro e compositor penedense do século
XIX. Em agosto de 1883, fundou e regeu a Sociedade Musical Euterpe Ceciliense,
uma das primeiras e mais tradicionais bandas de música de Penedo. Teve forte
atuação pública e artística na cidade na década de 1870, sendo signatário de
diversas atas e manifestos coletivos, liderando o cenário musical local até seu
falecimento.
² CATARINA, Júlio (1888–1948).
Músico e regente penedense, por vezes grafado como Catharino. Iniciou sua
trajetória musical possivelmente como aprendiz na virada do século XIX para o
XX. Assumiu a liderança e a consolidação da antiga banda de Henrique Thomaz
Ribeiro a partir da morte do maestro, tornando-se uma figura de transição
fundamental para as posteriores bandas operárias locais na primeira metade do
século XX.
³
CARMO, Lauro Augusto do (1876–1941). Maestro e compositor nascido em Pão de
Açúcar (AL), transferiu-se para Penedo provavelmente em 1887, onde
consolidou-se como importante articulador cultural. Dividiu sua carreira
musical entre as cidades de Penedo e Propriá (SE). Nesta última fixou
residência definitiva, se casando em 1920, constituindo família e encerrando
suas atividades musicais no ano de seu falecimento.
⁴
BARREIROS, João Lourenço. Autoridade jurídica, tabelião e regente musical
atuante na cidade de Penedo no século XIX. Exerceu as funções de 1º Tabelião do
Público, Judicial e Notas, bem como Escrivão do Cível e Crime na comarca, com
livros cartoriais ativos documentados entre os anos de 1855 e 1859, e registros
associados às atas da Guarda Nacional em Alagoas em 1864. Conforme publicações
da imprensa oficial penedense de 1875, possuía também destacada atuação no
cenário cultural-religioso local como regente de música sacra, figurando como
companheiro do maestro Francisco Paixão na condução musical das solenes missas
de Quinta-Feira Santa na cidade.
⁵
ALVES, João Dias Barbosa. Músico, artífice e liderança operária atuante em
Penedo entre o final do Império e as primeiras décadas da República. Conforme
registros dos livros da Irmandade do Santíssimo Sacramento, atuou ativamente ao
longo do século XIX como regente dos coros de música dedicados às tradicionais
missas cantadas das quintas-feiras. Membro de destaque da comunidade de
operários e comerciantes locais, figurou nominalmente na “Comissão dos Artistas
de Penedo” em abril de 1880 (por ocasião dos preparativos para recepções
pastorais na cidade), ao lado de nomes como João Leahy. Nas primeiras décadas
do século XX, os almanaques comerciais da praça penedense registram sua atuação
profissional na classe dos funileiros e lampistas.
⁶
SANTOS, Francisco Joaquim dos. Regente musical, funcionário e comerciante com
destacada atuação em Penedo entre o final do século XIX e as primeiras décadas
do século XX. De acordo com os assentos históricos dos livros da Irmandade do
Santíssimo Sacramento, exerceu papel de relevo na vida litúrgica local ao atuar
como regente dos coros de música responsáveis pelas tradicionais missas
cantadas das quintas-feiras ao longo do século XIX. Posteriormente, os
almanaques e guias comerciais do Estado de Alagoas registram sua presença na
comarca de Penedo entre os anos de 1914 e 1915, onde desempenhou funções de
caráter administrativo-comercial ou ligadas à arrecadação pública e agências de
serviços do município.
⁷
MENDONÇA, José Correia. Regente musical e ator social atuante na província e no
estado de Alagoas na transição do século XIX para o século XX. Nos assentos
históricos dos livros da Irmandade do Santíssimo Sacramento, consta seu
registro como regente dos coros de música responsáveis pelas tradicionais
missas cantadas das quintas-feiras ao longo do século XIX. Na esfera civil,
registros oficiais de 1897 apontam a atuação de um cidadão de mesmo nome
exercendo as funções de Procurador e integrando comissões sindicais em Alagoas.
Devem-se distinguir de sua biografia os registros de homônimos históricos
posteriores vinculados à Força Expedicionária Brasileira (FEB) ou a registros
imobiliários e de saúde em Sintra e Queluz, Portugal.
⁸
SAMPAIO, Miguel Moreira. Regente musical atuante na cidade de Penedo durante o
século XIX. Conforme os assentos históricos dos livros da Irmandade do
Santíssimo Sacramento, desempenhou papel de relevo na vida litúrgica do
município ao atuar na regência dos coros de música responsáveis pelas
tradicionais missas cantadas das quintas-feiras. Diante da escassez de dados
biográficos exatos registrados na imprensa digital de Alagoas para o período,
devem-se isolar de sua trajetória histórica as menções administrativas
homônimas encontradas nas Forças Armadas brasileiras em meados do século XX,
bem como registros civis contemporâneos.
⁹
LEITE, Manuel Nunes de Barros. Regente musical atuante na cidade de Penedo
durante o século XIX. Conforme os assentos históricos dos livros da Irmandade
do Santíssimo Sacramento, exerceu papel de relevo na tradição litúrgica local
ao atuar na regência dos coros de música responsáveis pelas tradicionais missas
cantadas das quintas-feiras. Embora não possua dados biográficos individuais
indexados na rede digital de Alagoas para o período, seu sobrenome o associa
diretamente à tradicional família “Barros Leite”, clã com profundas raízes na
aristocracia rural e açucareira da região do Baixo São Francisco, com forte
presença histórica nas redondezas de Alagoas e Pernambuco.
¹⁰
SANTOS, Manoel Tertuliano dos (1842–1910). Tenente, juiz distrital, maestro,
compositor secular, afinador de pianos e instrumentista penedense, conhecido
popularmente no meio artístico local como “Manoel Baixo” devido ao seu
virtuosismo na execução do baixo de cordas. Conforme os assentos históricos dos
livros da Irmandade do Santíssimo Sacramento, atuou como um dos maestros
regentes dos coros nas missas cantadas do município. Na esfera civil,
celebrizou-se ao fundar, em 1888, a Sociedade Philantropo Carlos Gomes, uma das
mais tradicionais agremiações musicais da região do Baixo São Francisco.
¹¹
SANTOS FILHO, Manoel Tertuliano dos (1884–1962). Renomado maestro, compositor e
educador musical penedense, conhecido popularmente como “Mestre Bembém” (ou
Professor Bembém). Filho do também maestro Manoel Tertuliano dos Santos (“Manoel
Baixo”), consolidou-se como o grande regente e reformador da Sociedade Musical
Penedense. Teve sua consagração histórica ao vencer o concurso oficial de 1936,
compondo a música do Hino de Penedo (com letra de Sabino Romariz). Devido ao
seu vasto legado cultural e pedagógico no Baixo São Francisco, é patrono e
homenageado pela Academia Penedense de Letras, Artes, Ciências e Cultura
(APLACC).
¹²
CACO, Joaquim da Natividade Reis. Relevante funcionário público e ator político
atuante em Penedo na segunda metade do século XIX. Exerceu por décadas as
funções de Escrivão do Cível e Órfãos, bem como Escrivão do Júri e Execuções
Criminais da comarca, deixando um vasto rastro documental na região. Membro
influente da sociedade penedense, subscreveu manifestos públicos, atas
coletivas e editais comerciais na imprensa local, como os anúncios do Engenho
Perucaba no Jornal do Penedo em 1881. Na esfera político-policial da província
de Alagoas, relatórios oficiais de 1869 registram que ele foi acusado pelas
autoridades de utilizar sua influência no cargo para dar guarida e acobertar
recrutas e fugitivos sublevados contra patrulhas policiais na cidade.
¹³
SANTOS, João Batista dos ("João Patury"). Comerciante e membro da
influente família Patury (posteriormente associada ao sobrenome Villas-Bôas
Patury), linhagem de grande relevância econômica, religiosa e arquitetônica na
Penedo oitocentista. Atuou ativamente no dinâmico circuito mercantil de
exportação e importação que movimentava a praça do Baixo São Francisco. Sua
árvore genealógica está diretamente vinculada a importantes lideranças locais
da segunda metade do século XIX, a exemplo do Padre Manuel Tertuliano
Villas-Bôas Patury, clérigo e negociante responsável pela edificação e
inauguração da icônica Capela de Nossa Senhora da Penha na cidade, em 1871.
¹⁴
DIAS, José. Figura registrada nos almanaques de comércio, agências e profissões
da comarca de Penedo e região durante a transição do Império para a República.
Conforme as fontes documentais da praça mercantil do Baixo São Francisco. Por
sua vez, registros homônimos contemporâneos associam o nome de José Dias a
praças militares e atas da Guarda Nacional na província de Alagoas durante a
segunda metade do século XIX.
¹⁵
FILHO, Henrique Thomaz. Músico e articulador cultural atuante em Penedo na
transição do século XIX para o século XX. Filho do célebre maestro e compositor
Henrique Thomaz Ribeiro, herdou e deu continuidade ao legado artístico de seu
pai na região do Baixo São Francisco. Sua presença é documentada historicamente
em atas de agremiações musicais, corporações artísticas e sociedades
caritativas locais, consolidando o nome de sua linhagem na manutenção das
tradições de instrumentistas, regentes e bandas de sopro da comunidade
penedense.
¹⁶
RIBEIRO, Honorina. Célebre pianista e
professora de destaque na cidade de Penedo, com atividade cultural solidamente
documentada na imprensa e em indicadores oficiais entre as décadas de 1900 e
1930. Conforme as páginas do Almanak Laemmert de 1913, figurava nominalmente
como a referência oficial no ensino e execução de piano na Paróquia de Nossa
Senhora do Rosário. Nos anos 1920, consolidou-se como figura central da
sociabilidade e das festas de gala da elite penedense; registros do jornal O
Luctador de 1927 atestam que ela comandou as majestosas soirées dos três dias
de carnaval nos salões nobres da prestigiada Sociedade Filarmônica Penedense,
dividindo o protagonismo com a orquestra Carlos Gomes do maestro Manoel
Tertuliano dos Santos Filho (“Mestre Bembém”). Atuou ainda em bailes dançantes
promovidos no teatro local pela tradicional Irmandade da Santa Casa de
Misericórdia de Penedo (ISPSS), simbolizando a geração de mulheres musicistas
que ditavam o ritmo da vida cultural no Baixo São Francisco.
¹⁷
SANT’ANNA, Vicente Ferreira de. (Vicente Filho) (n. c. 1891). Músico,
violinista e artífice de destaque na praça de Penedo (onde nasceu) na transição
do século XIX para o século XX. Era filho legítimo de Francisca Maria de Jesus
e de Vicente Ferreira de Sant’Anna – conceituado professor de música com
atuação em Pão de Açúcar (c. 1880), fotógrafo e proprietário de quiosque
comercial registrado no Almanak Administrativo, Mercantil e Industrial do
Estado de Alagoas (1894) e contador do foro (1895). Criado nessa efervescente
dinastia artística, cuja linhagem de músicos ramificou-se também por Propriá
(SE), Vicente Filho era o irmão caçula do célebre maestro Lauro Augusto do
Carmo e do músico Floro Augusto do Carmo. Os membros de sua família
notabilizaram-se pela atuação das bandas civis na região. Em outubro de 1909,
com apenas 18 anos, foi aclamado no periódico O Cruzeiro como “distincto
virtuose” do violino por suas aplaudidas execuções solistas em saraus
beneficentes nos salões nobres da Sociedade Terpsícore e do Montepio dos
Artistas, onde interpretava arranjos e valsas inéditas de seu irmão Lauro. Em
31 de agosto de 1913, casou-se na Igreja Matriz de Vila Nova (atual
Neópolis/SE) com Maria Joaquina Leite Brandão (n. 1894), união que integrou as
forças artísticas das margens do rio e teve como testemunha seu irmão, Floro.
¹⁸
CIARLINI, Ciro Cesare Caio (1855–1919). Renomado maestro, compositor, pianista,
violoncelista e professor italiano. Nascido em Reggio nell’Emilia, Itália,
casou-se em 1877 com a Condessa Maria Luigia Beatrice Anna Teresa dalla Palude.
Devido ao seu engajamento em uma sociedade secreta voltada à unificação da
Itália, viu-se obrigado a exilar-se, imigrando para o Brasil em 1886 via
Salvador (BA). Após apresentações na capital federal (Rio de Janeiro) e em
capitais do Norte e Nordeste, residiu em Aracaju e Penedo. Na praça penedense,
atuou ativamente nas festividades públicas e operou na fundação da Sociedade
Philantropo Carlos Gomes em 1888, ao lado de Manoel Tertuliano dos Santos, e
integrou a comitiva de recepção ao Conde d’Eu em agosto de 1889, ano em que se
mudou para Belém (PA), onde fundou uma escola de música. Fixou-se em 1894 em
Fortaleza (CE) e já em estado de viuvez, contraiu segundas núpcias em 1907 com
Maria Barreto Ciarlini, vindo a falecer anos mais tarde no município de Granja
(CE).
¹⁹
DORIA, Francelino Leite Dantas. Magistrado sergipano e bacharel em Direito pela
Faculdade de Direito do Recife, instituição onde colou grau no ano de 1893.
Atuou de forma destacada no judiciário da região do Baixo São Francisco nas
primeiras décadas do século XX, com atividade documentada entre 1904 e 1927.
Exerceu o cargo de Juiz de Direito da Comarca de Traipu (AL) e, devido à
dinâmica administrativa da época, respondeu cumulativamente por termos e
comarcas vizinhas desprovidas de titulares, registrando expressiva atuação na
comarca de Penedo por volta de 1904.
²⁰
RIBEIRO, Manuel Gomes (Barão de Traipu) (1841–1920). Uma das lideranças
políticas mais influentes da história de Alagoas, tendo escolhido a cidade de
Penedo como seu principal reduto residencial e base eleitoral, vindo a falecer
no município em 27 de julho de 1920. Ao longo de sua destacada trajetória
pública no Império e na República Velha, exerceu mandatos como deputado e
senador da República por várias legislaturas, além de ter governado o Estado de
Alagoas em 1892 após a deposição do general Gabino Bezouro. Notabilizou-se como
o grande chefe político e mecenas da região do Baixo São Francisco na virada do
século XIX para o XX; sua antiga residência oficial, um imponente casarão
histórico situado nas proximidades do Teatro Sete de Setembro, sedia atualmente
o hotel Solar do Barão.
²¹
PEIXOTO, Joaquim da Silva. Médico, industrial, exportador e capitalista em
Penedo na transição do século XIX para o século XX. Nascido em 1880, era filho
do Comendador português Manoel da Silva Peixoto (1848–1918) — natural de
Quinchães (Fafe, Braga), casado em Penedo em 1871 com Anna Gomes da Silva
(1855-1932) — e irmão de outras nove linhagens, incluindo Fernando da Silva
Peixoto (1889-1980), seu sócio. Bacharel pela Faculdade de Medicina da Bahia,
onde defendeu a tese “Indicações e Contra-indicações da Talha Hipogástrica”,
optou por consolidar-se na atividade econômica regional. Exerceu o cargo de
diretor-tesoureiro da Companhia Industrial Penedense de Fiação e Tecelagem e
chefiou a influente firma Peixoto & Cia. no comércio em grande escala de
algodão e arroz, cujas atividades e filiais de escoamento e exportação se
estenderam com sucesso pelas praças de Salvador (BA) e Santos (SP). Nas décadas
de 1930 e 1940, à medida que os negócios de exportação têxtil e naval da firma
Peixoto & Cia. se expandiam e se fundiam com grandes holdings e bancos
nacionais, o Dr. Joaquim, casado com Aurelina Maciel (n. 1884), transferiu
posteriormente residência para o Rio de Janeiro, onde atuou em conselhos
bancários e industriais, com registros de vida ativa documentados na imprensa
nacional até pelo menos o final de 1952, tendo falecido entre meados e o final
da década de 1950. Sua proeminente posição industrial o conectava diretamente à
base operária e musical das bandas civis locais da época de Francisco Paixão.
²²
DIAS, Juventino (n. c. 1871). Músico, instrumentista de sopro e artífice com
destacada atuação em Penedo e nas comarcas do Baixo São Francisco na transição
do século XIX para o século XX. Ingressou precocemente nas corporações musicais
da foz do rio, sendo integrado aos 12 anos como instrumentista da ala jovem na
fundação da Sociedade Musical Euterpe Ceciliense, em agosto de 1883, sob a
regência do mestre Henrique Thomaz Ribeiro. Desfrutando de estreita intimidade
com a elite artística local, assinou como testemunha oficial no matrimônio das
segundas núpcias do maestro Henrique Thomaz em janeiro de 1899. Em 8 de março
de 1908, aos 37 anos, validou um ato civil coletivo da comarca perante o
oficial Candido Pereira d’Oliveira, ocasião em que declarou de próprio punho
sua profissão de “Artista”.
²³
SANTOS, Benevenuto Agostinho dos. Artífice, operário e músico atuante nas vilas
e comarcas da ribeira do São Francisco na transição do Império para a
República. A documentação paroquial e civil de matrimônios de 1899 desfaz um
equívoco comum da tradição oral – que costumava registrar “Benevenuto” e “Agostinho”
como indivíduos distintos –, provando tratar-se de uma única pessoa. Integrou o
núcleo de sustentação das antigas filarmônicas e irmandades locais, assinando
atos civis ao lado de grandes mestres da região, como Lucas Mariano de Souza
(n. 1884) e o jovem Lauro Augusto do Carmo.
²⁴
ESPÍRITO SANTO, Benedicto Dias do (n. c. 1845). Instrumentista e veterano da
fundação musical da foz do Rio São Francisco na transição do Império para a
República. Sua identidade civil completa foi resgatada a partir da confrontação
paleográfica de manuscritos cartoriais de 1897, corrigindo a tradição oral e
bibliográfica (como as obras de Wilson Lucena e Santa Rita) que historicamente
omitiam o seu sobrenome intermediário. Consta formalmente como músico fundador
da Sociedade Musical Euterpe Ceciliense em 15 de agosto de 1883, servindo, aos
38 anos de idade, como um dos suportes de maturidade técnica e execução
instrumental na banda e na orquestra primitiva comandadas pelo maestro Henrique
Thomaz Ribeiro.
²⁵
BARBOSA, Manoel Dias. Músico e profissional da logística fluvial com atuação na
praça comercial de Penedo e Piaçabuçu na transição para a República Velha. Sua
assinatura em atas oficiais fixa sua identidade completa, cujos sobrenomes
indicam vinculação à árvore genealógica de João Dias Barbosa (membro da
Comissão dos Artistas de Penedo na década de 1880). No setor náutico e
comercial, aparece associado a registros de fretes e despacho de mantimentos e
mercadorias que abasteciam os vapores na região de Piaçabuçu, com menções
ativas até meados de 1902. No âmbito artístico e social, integrou o núcleo de
confiança das corporações musicais da comarca, destacando-se por sua estreita
proximidade com o Maestro Henrique Thomaz Ribeiro, figurando como uma das testemunhas
oficiais e assinando de próprio punho o livro de matrimônio das segundas
núpcias do mestre, em 21 de janeiro de 1899.
²⁶
LIMA, Joaquim. Teatrólogo, ensaiador, funcionário e artífice com marcante
atuação na cena cultural e operária de Penedo nas primeiras décadas do século
XX. Descrito pela imprensa da época como um “consciencioso amador dramático”,
celebrizou-se pela autoria do drama em dois atos O Capitão Fowlers, cuja
estreia beneficente ocorreu em novembro de 1926 em prol do Tiro de Guerra 124,
ocasião em que atuou nos palcos ao lado de nomes como Agapito Modesto e
Graciliano Oliveira. Nos almanaques comerciais de 1936 e 1937, figura
registrado na classe dos carpinteiros e marceneiros de elite do município,
evidenciando a tradicional dupla jornada entre os ofícios manuais e as artes
cênicas que caracterizava os intelectuais operários da República Velha na
região do Baixo São Francisco.
²⁷
MODESTO, Agapito. (n. 1884) Comerciante, oficial público e entusiasta das artes
cênicas atuante em Penedo entre as décadas de 1920 e 1930. Integrou em 1930 o
corpo civil da delegacia regional do município, ao lado do escrivão Manoel
Ferreira de Sant’Anna. No comércio local, consolidou-se em 1937 e 1938 como
proprietário de uma das principais agências de pompas fúnebres da praça.
Espírito profundamente comunitário, conciliava suas atividades comerciais com o
teatro amador, tendo integrado, em novembro de 1926, o elenco principal da
estreia do drama O Capitão Fowlers, festival beneficente realizado no Theatro
Sete de Setembro em prol do Tiro de Guerra 124. Naquela histórica temporada,
enquanto subia ao palco ao lado do dramaturgo Joaquim Lima, de Graciliano
Oliveira e de Othon do Carmo Filho, sua esposa, a talentosa pianista Milu
Modesto (com quem era casado desde 1923), comandava as teclas do piano nos
salões e nos intervalos da noite, unindo o comércio e a atuação de Agapito ao
talento musical dela em um celebrado par de ouro da cultura penedense.
²⁸
SANTOS, Manoel Dias dos (n. c. 1848). Músico, instrumentista de sopro e
artífice de destaque na praça de Penedo na segunda metade do século XIX.
Pertencente à histórica geração pioneira do Baixo São Francisco, integrou em
agosto de 1883 a bancada primitiva de fundação da Sociedade Musical Euterpe
Ceciliense, tocando ao lado do maestro Henrique Thomaz Ribeiro e de Benedicto
Dias do Espírito Santo. Figura respeitada e de trânsito na classe operária
local, compareceu ao Registro Civil em 1897 para testemunhar o matrimônio do
maquinista Manoel Antônio Cajueiro, ocasião em que declarou de próprio punho
sua profissão de “Artista”. Trata-se do legítimo “Manoel Dias” imortalizado na
bibliografia historiográfica regional de Wilson Lucena e Santa Rita.
²⁹
SACRAMENTO, Manoel Dias do. Músico e operário do fluxo fluvial atuante na
engrenagem artística e aduaneira do porto de Penedo no final do período
imperial. Sob o nome artístico de Manoel Sacramento, integrou os quadros de
sopro originais da Sociedade Musical Euterpe Ceciliense em sua fundação, em 15
de agosto de 1883. No setor náutico, figura oficialmente no Livro de
Passageiros da Inspetoria do Porto de Penedo em novembro de 1886 (fólio 67),
desembarcando de um vapor ao lado de operários de elite como João Dias Barbosa.
Seu trânsito e estreita proximidade com os companheiros de retreta ficaram
imortalizados em 3 de agosto de 1897, data em que foi qualificado pelo escrivão
Bento Pereira Telles d’Araujo como testemunha inicial do histórico matrimônio
do maquinista Manoel Antônio Cajueiro, operando lado a lado com os veteranos da
Euterpe que assinaram o encerramento do fólio.
³⁰ SOUZA,
Leônidas (LULA). Insigne artista, ator e instrumentista dotado de marcante
atuação na fase embrionária e fundacional das expressões artísticas do Baixo
São Francisco. Registrado originalmente de forma lacônica sob o
"vulgo" de Lula nas atas residuais de fundação da Sociedade Musical
Euterpe Ceciliense, datadas de agosto de 1883, sua verdadeira identidade civil
permaneceu esquecida pela historiografia musical até o cruzamento cirúrgico de
fontes. Leônidas Souza militava na linha de frente ao lado do lendário maestro
Henrique Thomaz Ribeiro, personificando a simbiose cultural da Penedo
oitocentista: os mesmos artífices operários que garantiam o sopro nos metais de
rua e a execução de dobrados nas festividades populares eram os que sustentavam
os palcos da comarca. Como ator, subia regularmente ao palco do primitivo
Teatro São Francisco — casa de espetáculos que funcionava no casarão
residencial ao lado da Ordem Terceira Masculina. Ao lado de nomes como Cesário
Procópio e Gerônimo Oliveira, Leônidas integrou o elenco que encenou o drama
"Maria Olaia", a última peça encenada naquele pavilhão antes de seu
fechamento definitivo em 1884 para dar lugar ao Teatro Sete de Setembro,
conforme precioso testemunho do flautista Hortêncio Porto preservado pelo
historiador Ernani Méro.
³¹
GALVÃO, Anízio. Grande capitalista, proprietário de terras e principal protetor
institucional e financeiro da Sociedade Musical Euterpe Ceciliense em sua fase
primitiva de fundação. Homem de posses abastadas e residência imponente no
Centro Histórico de Penedo, sua atuação foi decisiva para a consolidação da
agremiação fundada em agosto de 1883; financiou a compra de fardamentos, a
manutenção de partituras e abrigou a corporação em um anexo de sua propriedade
para a realização dos primeiros ensaios fechados. Sua linhagem familiar
continuou ativa no comércio regional e no trânsito de passageiros em navios a
vapor na virada do século XIX para o século XX.
³² SILVA
FILHO, Antônio Cruz da. Cofundador, instrumentista e articulador civil na fase
embrionária das filarmônicas do Baixo São Francisco. Em 15 de agosto de 1883,
uniu seu prestígio técnico e político ao do maestro Henrique Thomaz Ribeiro e
ao de João Batista dos Santos ("João Patury") para assinar a ata de
fundação da Sociedade Musical Euterpe Ceciliense. Pertencente à ala letrada da
família “Silva” de Penedo – segmento que orbitava o funcionalismo público e as
bancas de foro –, foi o responsável por garantir o suporte burocrático para que
a banda operasse sua orquestra e retreta de rua em conformidade com as
exigências da Província de Alagoas.
³³
SILVA, Zulmira Vieira dos Reis. Perfil de caráter estritamente privado e
familiar na Penedo oitocentista, cujo sobrenome reflete linhagem tradicional do
bairro histórico do Centro. Zulmira Vieira dos Reis Silva possui estreita
ligação consanguínea ou afetiva com o influente escrivão Joaquim da Natividade
Reis Caco, com quem aparece associada em registros civis de 1873. Faleceu no
ano de 1881, ocasião em que Reis Caco publicou um agradecimento oficial ao
Maestro Francisco Paixão por ter acompanhado o cortejo fúnebre com sua banda de
música, revelando os laços de solidariedade e o prestígio litúrgico-social do
maestro na comunidade. Sem registros de atuação política ou artística
digitalizados na imprensa do período.
³⁴
MÉRO, Ernani. Nasceu em Penedo em 15-02-1925 e faleceu em Maceió em 27-01-1996.
foi um dos mais proeminentes intelectuais, historiadores, juristas e poetas de
Alagoas. Formado em Direito pela Faculdade de Direito de Alagoas, atuou como
magistrado, professor universitário e presidiu o Tribunal Regional Eleitoral
(TRE-AL) e o Tribunal de Justiça de Alagoas (TJ-AL). Consagrou-se como o maior
guardião da memória historiográfica do Baixo São Francisco, publicando obras
fundamentais como Penedo: Seu Povo, Sua História e História da Música em
Penedo, além de ter sido membro de destaque do Instituto Histórico e Geográfico
de Alagoas (IHGAL) e da Academia Alagoana de Letras.
³⁵
VITORINO FILHO, Manoel (Mestre Nozinho) (1895-1960). Maestro, compositor, arranjador,
pedagogo musical e alfaiate; um dos maiores ícones da história das corporações
de sopro do Sertão alagoano. Nascido em Neópolis (SE) em 17 de outubro de 1895,
migrou para Pão de Açúcar (AL), onde foi discípulo direto do mestre Emygdio
Bezerra Lima e fundou, em 15 de março de 1918, a Sociedade Musical Guarany.
Sustentou a agremiação voluntariamente por quatro décadas com recursos de sua
alfaiataria, formando três gerações de instrumentistas, regendo orquestras de
baile como a Batuta (1919-1927) e a Jazz Band Pão-de-Açucarense (anos 1940), e
compondo, em 1926, a música do Hino do Tiro de Guerra 656, onde também foi
tesoureiro de 1929 a 1931. No campo da arquivologia e salvaguarda do patrimônio
musical da ribeira, copiou e organizou, em 1911, as partes do dobrado Adail
(peça nascida da retreta em homenagem a Aidil Peixoto) e conduziu revisões em
clássicos locais na década de 1940. Faleceu em 18 de abril de 1960, aos 64 anos
de idade, sendo sepultado sob as homenagens da banda regida por Álvaro Simas.
Seus irmãos também iniciaram na música local, mas migraram para o Rio de
Janeiro: Américo de Castro Barbosa (1903-1967) consolidou-se como
contrabaixista de projeção nacional, enquanto José de Castro Barbosa
(1901-1969), após tocar trombone em cruzeiros europeus nas décadas de 1920 e
1930, bacharelou-se em Direito em 1945, se afastando da carreira musical.
³⁶
MAZONI, Levino Paiva (Mestre Livino Bahia) (1880–1940). Músico, professor,
compositor, copista e regente com marcante atuação no Sertão alagoano. Natural
de Pão de Açúcar (AL), era o primogênito de uma tradicional família de onze
irmãos conhecidos na ribeira pelo apelido coletivo de "Bahia". Sua
atividade artística concentrou-se nas primeiras décadas do século XX na
comarca, tendo a janela de 1905 a 1924 documentada. Teve seu nome gravado em
manuscritos do histórico Arquivo da S.U.P. (1905-1917). Seus esforços para
arregimentar músicos para uma nova formação musical foram registrados no
periódico local A Ideia em 1909. Atuou ainda como regente na comarca vizinha de
Belo Monte (AL). Embora sua produção de cópias tenha cessado nas décadas de
1920 e 1930, inscreveu seu nome na musicologia alagoana como compositor ao
deixar como único testemunho criativo sobrevivente a monumental Marcha do
Rosário (fevereiro de 1917), marcha de procissão resgatada de pastas originais
em 1994. Faleceu em 1º de maio de 1940, aos 60 anos de idade. É provável que em
1911 fosse ele o regente da S.U.P.
³⁷
ARAÚJO, José; SANTOS FILHO. Copistas e artífices da escrita musical atuantes em
Pão de Açúcar nas primeiras décadas do século XX. Seus nomes e caligrafia
manuscrita aparecem registrados em pastas de partituras recuperadas do período
1905-1917. À exceção de seus traços de próprio punho na tinta ferrogálica, que
atestam sua atividade na bancada de copistas da fase pré-Guarany, nenhuma outra
informação biográfica, civil ou paroquial foi localizada sobre suas trajetórias
na comarca.
³⁸ MENDONÇA,
Abílio Ignácio de Carvalho (1879-1963). Maestro, compositor, regente,
instrumentista e seresteiro; uma das personalidades mais marcantes do Sertão
alagoano. Nascido em Floresta (PE), de ascendência luso-indígena, ficou órfão
na infância e foi formado musicalmente pelo mestre José Emiliano de Souza (n.
1858), atuando em 1900 na banda financiada por Lucas Evangelista da Silva (n.
1852). Sua atuação em Banda de Música de Pão de Açúcar (AL) documenta-se entre
1900 e 1919: em 1910 era regente da S.U.P. e, em 1911, dirigiu a curta e
histórica Euterpe de Pão de Açúcar. Na esfera civil, atuou profissionalmente
como fabricante de calçados e exerceu o cargo de fiscal da prefeitura do
município entre 1923 e 1925 na administração do prefeito João Damasceno Souza.
Teve passagens marcantes por Santana do Ipanema (AL), onde regeu a Banda Santa
Cecília (1935-1940), e por Neópolis (SE). Exímio violonista e cantor tenor,
integrou a orquestra de baile Batuta em 1922 ao lado de Mestre Nozinho. Faleceu
em 30 de dezembro de 1963, aos 84 anos. Era pai do historiador Aldemar de
Mendonça (1911-1983) e avô do colunista Marcus Vinicius Maciel Mendonça (1937-1976).
³⁹
SIMAS, Álvaro Pereira (1881–1961). Maestro, compositor, exímio clarinetista,
executante de requinta e alfaiate; membro da geração pioneira de músicos de Pão
de Açúcar (AL) ao lado de Livino Mazoni, Abílio Mendonça e Emygdio Bezerra
Lima. Nascido no município em 22 de julho de 1881, era filho do pedreiro
Firmino Pereira Simas (1859–1910) e da costureira Idalina Maria da Conceição
Simas, pertencendo a uma tradicional estirpe familiar célebre pela proliferação
de artistas na ribeira, a exemplo de seu primo, o tubista Lourival Simas
(1889–1969). Casou-se em 27 de fevereiro de 1904 com Adélia Vieira Sandes
(1883–1951), união da qual nasceu o renomado violonista Adail Sandes Simas.
Dono de excelente caligrafia musical, copiou peças no arquivo de Antônio Melo Barbosa
– onde consta seu dobrado incompleto Pe. Fernando Medeiros – e na Sociedade
Musical Guarani, onde deixou o arranjo para o dobrado Santo Antônio (1911).
Registrado como tenente do Exército pelo Jornal do Penedo em 1914. Em 18 de
abril de 1960, reassumiu a batuta para conduzir as honras fúnebres no
sepultamento do maestro Manoel Vitorino Filho (Mestre Nozinho), executando a
Marcha Fúnebre nº 2 de Benedicto Raymundo da Silva. Faleceu em 21 de março de
1961, aos 79 anos de idade, vítima de insuficiência cardíaca.
⁴⁰
LIMA, Emygdio Bezerra (1865–1931). Maestro, compositor, professor e pilar
central da história das filarmônicas de Pão de Açúcar (AL). Nascido na comarca,
serviu ao Exército Brasileiro em Aracaju (SE) na juventude, onde lapidou sua
sólida técnica harmônica nas bandas militares. De volta à terra natal,
consagrou-se como o mais influente professor de música da região, sendo o
mentor direto e formador do mestre Manoel Vitorino Filho (Mestre Nozinho).
Casou-se com Maria Ignez C. da Silva (que passou a assinar Maria Ignez Lima de
Lima). No âmbito civil e religioso, figurou formalmente como o primeiro diácono
na fundação da Igreja Presbiteriana Independente de Pão de Açúcar em 1904, da
qual se afastou em anos posteriores. Comandou com rigor as retretas da Praça da
Matriz até 18 de março de 1928, data em que recolheu suas pautas devido ao
agravamento de problemas cardíacos. Faleceu em 1931, aos 66 anos de idade,
deixando na escola de seus aprendizes o alicerce técnico de toda a música do
Sertão alagoano.
⁴¹
DANTAS, Luiz Raimundo Tourinho (1927-2003): Conhecido como "Dr.
Mundico", foi um empresário, fazendeiro e desportista baiano, descendente
do Barão de Jeremoabo e pai do banqueiro Daniel Dantas. Destacou-se como
defensor ambiental ao criar o Parque das Bromélias na fazenda Ponta do Garcês
(Jaguaripe/BA) e como pioneiro do esporte náutico ao fundar o Saveiro Clube da
Bahia.
REFERÊNCIAS
1. Fontes Primárias e Manuscritas
ALAGOAS. Registro
Civil de Penedo. Termo de Matrimônio de Victor José Modesto e Joaquina de
Araujo Passos (Fólio 88, 1896). Cartório do 1º Ofício de Penedo.
ALAGOAS. Juízo
Distrital de Penedo. Termo de Matrimônio nº 26 (3 de ago. 1897). Cartório do
Registro Civil de Penedo.
BAHIA. Paróquia de
São Pedro. Assento de Batismo de Aidil Peixoto (8 de dez. 1901). Livro de
Batismos, Arquivo Arquidiocesano de Salvador.
BAHIA. Paróquia de
Nossa Senhora da Vitória. Termo de Matrimônio de Augusto Marques Valente e
Aidil Peixoto (6 de nov. 1919). Livro de Casamentos, Salvador.
BAHIA. Sub-distrito da Vitória (Salvador). Certidão de Óbito de Augusto Marques Valente (Termo nº 20.401, Livro 79, Fólio 192, 12 de out. 1963). Cartório do Registro Civil da Vitória, Salvador.
2. Manifestos de Portos e Listas de Passageiros
ALAGOAS. Inspetoria
do Porto de Penedo. Livro de Registro de Passageiros Nacionais (Novembro de
1886; Agosto de 1915). Arquivo Público do Estado de Alagoas / Acervo Digital.
ESTADOS UNIDOS. National Archives and Records Administration (NARA). Passenger Lists of Vessels Arriving at New York: S.S. Western World (Abril de 1926); S.S. Empress of Britain (29 de abril de 1939). Washington, D.C. Record Group 85.
3. Imprensa Periódica Antiga
Jornal
do Penedo nº 13 de 04-04-1875
Jornal
do Penedo nº 33 de 20-08-1875
Jornal
do Penedo nº 15 de 30-04-1881
Jornal
do Penedo nº 01 de 27-10-1912
Jornal
do Penedo nº 62 de 28-02-1914
A Fé
Christã nº 16 de 30-04-1904 - Penedo - AL.
A Ideia
nº 03 de 28-11-1909 - Pão de Açúcar, AL.
O
Cruzeiro nº 11 de 07-10-1909 - Penedo - AL.
O Cruzeiro nº 12 de
15-10-1909 - Penedo - AL.
O
Cruzeiro nº 13 de 22-10-1909 - Penedo - AL.
O
Cruzeiro nº 14 de 29-10-1909 - Penedo - AL.
O
Progresso nº 07 de 19-09-1926 - Penedo, AL.
Gazeta
de Alagoas. Maceió, AL. Edição de Outubro de 1945.
O Tico-Tico. Rio de Janeiro, RJ. Edição nº 402, junho de 1913.
4. Obras Impressas (Livros)
LUCENA, Wilson José
Lisboa. Tocando Amor e Tradição - A Banda de Música em Alagoas Vol. I. Viva Editora,
2016.
MENDONÇA, Aldemar de. Pão de Açúcar: História
e Efemérides: Imprensa Regional, 1974.
SANTOS, Gervásio
Francisco dos. Um Lugar no Passado: Subsídios para a História de Pão de Açúcar.
Rio de Janeiro: Princeps Gráfica, 1976.
VALENTE, Nícia Marques (Maria Patrícia). Crônicas de Maria Patrícia (1946-1950). Brasília: Centro Gráfico do Senado Federal, 1980.
5. Repositórios e Plataformas Digitais
COROMINAS, Joan. Adalid. In:
COROMINAS, Joan. Diccionario crítico etimológico castellano e hispánico.
Bibliateca.es: Biblioteca Digital de Humanidades e Hispanismo. Disponível em:
https://bibliamedieval.es/bibliateca.es/corominas/corominas.html. Acesso em: 2
ago. 2026.
FAMILYSEARCH. Base de dados internacional de
Registros Civis e Paroquiais do Brasil. Disponível em:
<familysearch.org>.
FUNDAÇÃO BIBLIOTECA NACIONAL. Hemeroteca
Digital Brasileira. Disponível em:
<bndigital.bn.gov.br/hemeroteca-digital>.
INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E
ESTATÍSTICA (IBGE). Nomes no Brasil: Censo Demográfico 2022. Rio de
Janeiro: IBGE, 2024. Disponível em: https://censo2022.ibge.gov.br/nomes/.
Acesso em: 2 ago. 2026.
UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA. Núcleo de
Escritoras Baianas: Dossiê Nícia Maria Valente Dantas. Disponível em:
<escritorasbaianas.ufba.br>.
[1] Nota editorial: Esta edição crítica
resgata o dobrado de Francisco Paixão a partir de cinco partichelas
sobreviventes do arquivo da Sociedade União e Perseverança (1911). Embora
catalogada na praça de Pão de Açúcar com o título de "Adail", a pesquisa
iconográfica e hemerográfica conduzida por Billy Magno aponta que a obra se
trata, muito provavelmente, do Dobrado “Aidil”, estreado em Penedo em outubro
de 1909 em homenagem a Aidil Peixoto. O ato falho ortográfico “Aidail”
preservado no manuscrito original da 1ª Clarineta funciona como o fóssil
paleográfico desta transição fluvial.
[2] O nome
"República-Encouraçada" é fascinante. Reflete o forte sentimento
cívico, republicano e militarista da sociedade penedense em 1875, possivelmente
uma alusão aos navios encouraçados que ganharam fama na Guerra do Paraguai
(encerrada poucos anos antes, em 1870).
[3] Surgida provavelmente em 1881, pode
ser a corporação citada tocando no funeral de Zulmira Vieira dos Reis Silva em
abril desse mesmo ano.
[4] Nota de arquivo: a historiografia
local costuma associar o nome do discípulo Júlio Catarina a esse início;
contudo, por ter nascido em 1888, sua presença na fundação é cronologicamente
impossível, vindo a suceder a Henrique Thomaz na regência apenas na década de
1910 [1, 2].
[5] Na época se chamava Vila Nova do São
Francisco, somente trocando a denominação para a atual em 1940.
[6] Faleceu em Salvador em 30 de dezembro
de 2022.
[7] O nome Adail aparece tanto
como termo árabe ligado a funções militares e de liderança na Península Ibérica
durante a invasão moura (711 d.C.), quanto como variante hebraica de Adiel,
significando “meu ornamento é Deus”. No Brasil, tornou-se um prenome raro, mas
presente desde o século XIX, especialmente no Norte e Nordeste. Apesar da
semelhança sonora, são falsos cognatos – raízes distintas (árabe e hebraica)
que convergiram foneticamente. Na tradição portuguesa, é comum que nomes
semelhantes sejam usados em famílias por estética ou sonoridade, reforçando a
associação entre variantes. [Cf. https://www.infopedia.ptdicionarios/lingua-portuguesa/adail
e https://dicionario.priberam.org/pt-br/adail]
[8] No contexto demográfico brasileiro
apurado pelo IBGE (cujo módulo detalhado de nomes tem como base consolidada os
censos populacionais), o nome Adail conta com 4.816 registros no país,
predominantemente masculinos, enquanto a variante Aidil registra 883
ocorrências, concentrando-se no uso feminino – ratificando a presença
continuada e viva dessas formas no território nacional. (Cf.
https://censo2022.ibge.gov.br/nomes/)
[9] Na refundação da Banda de Música
Mestre Elísio, período 1989-1991, com posterior ampliação pelo maestro Cícero
Francisco de Brito, o Cafau (1938-2009)
[10] Não à toa, o professor de Bubu e
Cafau, respectivamente o restaurador e o consolidador da banda piranhense.
[11] Este não identificado nas partes
cavadas, mas a partir de estudo baseado no testemunho do próprio letrista da
canção do Exército Brasileiro, Tenente-Coronel Alberto Augusto Martins
(1894-1971), a autoria é atribuída seguramente ao músico militar pernambucano
Ismael Euclides Maranhão, e não ao paraense Teófilo de Magalhães, como tem sido
propagado desde o final da década de 1940.




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